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Quinta-feira, Outubro 11, 2007
Uma justa homenagem
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Quarta-feira, Março 28, 2007
A Apresentação do Armazém das Artes
Fica também o reflexo de um acontecimento aberto, com a formalidade essencial, mas com uma liberdade muito maior. Esse é o espírito do fundador José Aurélio e esse será também o espírito da fundação, certamente. Para já fica a promessa para todos os que viram nascer o Armazém que vão poder continuar a assistir ao seu crescimento e estar presente em todos os momentos da vida do Armazém das Artes. Para Maio está prevista a inauguração da colecção de escultura. Fica a expectativa de como irá reagir o edifício (também ele escultura) com as obras do Mestre!
A presença de algumas individualidades representa o reconhecimento da dimensão de José Aurélio, naturalmente, mas também um sinal de que o país olha para este projecto com uma expectativa crescente, assim a cidade também o encare e nele participe.
Alcobaça passou a estar dotada de um espaço cultural fantástico e que mereceu o repicar dos sinos do Mosteiro (não sei se propositado! De qualquer forma, parabéns ao Dr. Rui Rasquilho!). O AA será um espaço complementar ao Mosteiro e, em conjunto, prometem ser uma experiência cultural única. É disto que se alimenta a Cultura e, já agora, o turismo…
Parabéns ao Armazém das Artes e à coragem de José Aurélio
Quinta-feira, Março 15, 2007
Armazém das Artes com espaço na net
www.armazemdasartes.pt
Sexta-feira, Março 02, 2007
"PS quer novas instalações para o Hospital Alcobaça"
A proposta do Presidente da Comissão Política, Nuno Pereira, é apresentada no momento em que continua a decorrer o estudo do economista Daniel Bessa à rede hospitalar do Oeste.
No documento, Nuno Pereira defende o regresso do Serviço de Pediatria ao Hospital e o reforço das consultas externas com outras especialidades, como psiquiatria, dermatologia, urologia ou oftalmologia, e a instalação dos cuidados paleativos, cuidados continuados e o reforço dos meios humanos no Hospital de Alcobaça que funciona num edifício com mais de 100 anos, propriedade da Misericórdia. Sobre as condições físicas da unidade de saúde, Nuno Pereira deixa à consideração do Ministro uma reflexão sobre a possibilidade de se construir um novo edificio para instalar um Hospital com 120 camas." in Radio Cistér
Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007
Carta Educativa II
Da análise superficial que consegui fazer ao documento de trabalho enviado pelo José Alberto Vasco ficam-me algumas interrogações quanto ao conteúdo. Para já ficam de fora as considerações sobre o ensino básico, muito centrado nas relações entre a evolução demográfica e a construção ou encerramento de novas escolas
No que concerne às propostas mais sonantes fica uma sensação (que espero existir por se tratar de um documento preliminar) de alguma desilusão.
a) Alcobaça volta apostar em sectores e cursos que os concelhos limítrofes já apostaram, caso dos cursos de gastronomia e informação turística. Basta olharmos para Caldas da Rainha e Óbidos e provavelmente a Nazaré. A hipótese até fará sentido se o concelho conseguir atrair e gerar investimentos que garantam empregabilidade aos alunos. Esta não tem sido a realidade e o investimento não se decreta…
b) A aposta numa escola (ou curso) de artes parece uma ideia clara de aproveitar a Academia de Música, por isso parece-me mais interessante focalizar a missão na música. Para além disso, Caldas da Rainha já terá dado passos na direcção das áreas do espectáculo.
c) Existe um inexplicável silêncio em relação à agricultura. Parece-me estranho que o sector económico que mais vitalidade e inovação tem demonstrado não tenha um paralelo educativo. Os projectos de investigação científica associados à maçã de Alcobaça, por exemplo, têm de gerar valências educativas. Áreas como a higiene alimentar e a qualidade e certificação de produtos são áreas de futuro, nas quais temos de apostar.
d) As generalidades em relação às novas tecnologias são também um foco de suspense, pois são remetidas para a Benedita, enquanto apoio à área de localização empresarial. Não há, portanto, um sinal de quais as áreas que a autarquia pretendia atrair ou para quem procurará gerar um ambiente favorável. Este, no entanto, não é um problema da educação.
e) Depreende-se também que a autarquia esquece sectores tradicionais da economia local como a cerâmica ou o vidro, que são relegados à categoria de arqueologia industrial. Se assim é, pelo menos aproveite-se esta vertente! Esta posição, face aos sectores industriais, merece uma reflexão profunda para percebermos se se trata de um questão conjuntural ou estrutural.
f) Não me parece também que existam projectos para o norte do concelho e aqui entraríamos em ensino profissional para indústrias de vocação tecnologia. A força do tecido empresarial ligado aos moldes necessita de funcionários qualificados e o concelho não pode ficar para trás em domínios de investigação e desenvolvimento.
g) Áreas como a geologia e a transformação de materiais geológicos também não foram contempladas e poderiam ser uma hipóteses para darmos o passo para uma indústria transformadora e não apenas extractiva. É esta ligação ao tecido económico que está pouco presente neste projecto.
Aguardamos com alguma ansiedade o desenvolvimento do trabalho e o envolvimento de especialistas (o que manifestamente não é o meu caso) para que a carta consiga ser um documento de referência estratégica para o concelho.
P.S. E por favor sejam humildes e apresentem publicamente o trabalho. Ao contrário do que pensam não estamos aqui só para dizer mal.
Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007
Outras práticas...
Rio Maior
Torres Novas
Sines
Lousã
Oliveira de Azeméis
Vila de Góis
Vale do Sousa
Portalegre
Alenquer
Existe até o modelo da Associação Nacional de Municípios, por onde provavelmente Alcobaça também se inspirou…
Acho que esta pequena amostra é suficiente.
Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007
Já temos uma Carta Educativa...
Sexta-feira, Dezembro 29, 2006
Está o concelho de Alcobaça em risco de desmembramento?
A rede rodoviária municipal, impecavelmente asfaltada, assume-se como um factor que aguça a fraca coesão local. Localidades como Pataias, Alfeizerão, Benedita, São Martinho do Porto, Moleanos, estão mais perto das sedes de outros concelhos do que de Alcobaça. Se a estas localidades do nosso concelho juntarmos as freguesias e lugares que lhes são satélites ficamos com um confuso panorama geo-estratégico local.
Naturalmente que os outros concelhos se apercebem desta realidade e, em benefício próprio, percebem a potencialidade de desenvolver parcerias e colaborações, como o está a fazer Caldas da Rainha com a Benedita.
Ao melhorar a sua ligação rodoviária com a Benedita, Caldas da Rainha consegue encurtar distâncias e, principalmente no comércio, assumir-se como a “central de compras” para o apetecível mercado da Benedita… e Turquel. Em oposição o comércio de Alcobaça definha e as temáticas de negócio tendem a centralizar-se em exclusivo na oferta para o turismo: cafetarias e lembranças. A ligação de Caldas e Benedita já tem os seus resultados com o Mercado de Santana que atrai milhares de pessoas bem para a fronteira dos dois concelhos… só que do lado de Caldas. Acordámos tarde e tivemos de apostar em Pataias. São estas pequenas oportunidades que Alcobaça vai perdendo consecutivamente porque vive numa letargia de rico falido que acha que apenas o apelido ou a mudança de conjuntura será suficiente para resolver os problemas do presente. Esta incapcidade de antecipar os desafios e ganhá-los faz com que os nossos políticos locais prometam e depois não cumpram ou protelem até que se perda o timming. Não esqueçamos que Gonçalves Sapinho, na última campanha eleitoral, assumiu a ligação rodoviária à Benedita como uma prioridade deste mandato. Veio tarde a ambição e ainda mais tarde virá a obra.
O cenário actual e futuro não será favorável a Alcobaça e o desenvolvimento comercial será particularmente difícil face à alteração de hábitos de locais e à perda de atractividade da sede do concelho. Freguesias como Casal Pardo, Cela e até a Vestiaria recorrem cada vez mais às grandes superfícies das Caldas da Rainha! Naturalmente continuam a existir possibilidades de comércio em Alcobaça, mas garanto-lhes que um investidor terá de pensar mais a sério, fazer mais contas e estudos de mercado do que se quiser investir noutros locais. Simplesmente porque não temos um clima económico favorável.
Neste momento para Alcobaça ganhar uma nova centralidade tem de ter capacidade de ir ao combate pelo investimento empresarial, porque aí ainda podemos disputar o terreno com concelhos como Caldas da Rainha ou Rio Maior. Atraindo empresas e o consequente emprego veremos se funciona o ciclo virtuoso que se reflecte no aparecimento de serviços.
A questão é sempre a mesma: somos humildes e vamos à luta? Olhamos para o investidor como alguém a quem estamos a fazer um favor? Encaramos a relação com os outros concelhos como uma saudável "coopetição"?
Os estudos não criam climas económicos favoráveis, mas as políticas podem ajudar.
Não nos esqueçamos que aquela que é a maior das reformas a relaizar no país qualquer dia terá de ser feita, nessa altura quem não se preparou será alvo de profundas transformações. Surgirão polémicas, mas os que não se preparam não terão a força do pragmatismo da política e da economia. Falo da Reforma Administrativa.
As rodovias são apenas mais um dos desafios que compõem este cenário difícil em que Alcobaça se encontra, melhor…. Em que Alcobaça se deixou encontrar. Pessoalmente aquilo que mais quero é que as pessoas vivam bem e que procurem as oportunidades que lhes garantam esse bem-estar.
Mais uma vez vamos falar de prioridades e da necessidade de Alcobaça ganhar o seu espaço. Deixo aqui alguns dos desafios para o futuro:
- Educação: absolutamente fundamental. Alguns concelhos do Oeste já têm projectos educativos municipais. Para isso temos de perceber qual a lógica de desenviolvimento que queremos para depois trabalhar a oferta, por exemplo, no ensino profissional.
- Novas tecnologias. O sucesso de algumas localidades em Espanha deve-nos fazer reflectir com a correcção de apostas massivas em áreas como o turismo para as novas tecnologias… foi o caso de Málaga. Numa área tão competitiva temos de saber exacatamente o que queremos e qual o nicho a atacar.
- Cultura. Continuamos a ter um grande potencial a nível de recursos humanos, mas não possuímos infra-estruturas que o acompanhem. A situação pode mudar ligeiramente com alguns novos equipamentos, mas não será suficiente. A minha prioridade, neste domínio, seria a aposta nas indústrias criativas. Casar a cultura com as novas tecnologias e fazer dos espaços locais (como o Mosteiro) um laboratório de novos projectos direccionados para a interpretação turística e cultural.
- Continuo a não perceber como Alcobaça não tem um museu da faiança!
Precisamos de projectos que gerem conteúdos culturais que abasteçam áreas como a seguinte…
- Turismo. É uma área vital para a economia local. Mais uma vez acordamos incrivelmente tarde perdendo por completo o efeito inovação e arrancamos numa lógica de multiplicação quando deveria ser de diferenciação. Falo do golfe. O conceito emergente é este: Turismo de Experiências. Falaremos do assunto futuramente…
- Humildade. Esta é a área onde mais temos de trabalhar. Desculpem a ironia, mas temos de ser capazes de olhar para os outros sem um certo desdém que nos atinge frequentemente. Os concelhos circundantes são agressivos (no melhor dos sentidos) e por isso antecipam e apresentam resultados. Isto é válido quer para uma estrada para a Benedita, quer para a captação de investimento estrangeiro.
Quanto à pergunta do título… sinceramente acredito que sim. O desmembramento administrativo será difícil porque sabemos as resistências a uma reforma administrativa séria em Portugal, mas a nível da relação dos munícipes com o concelho não tenho dúvidas que estamos a caminhar em direcções divergentes. E isto é tão importante para o nosso dia-a-dia como a delimitação cartográfica do concelho.
P.S. Só queria pegar no comentário do nosso amigo Nabais e já vamos com este post enorme… Abraço a todos e um excelente Ano Novo. 2007 poderá ser melhor que 2006, assim o queiramos todos!
Quarta-feira, Dezembro 27, 2006
Sem Comentários...
“… A mudança para o pós Gutemberg contribui para esticar o elástico social e deixar culturalmente isolados, ou no pelotão da retaguarda, os actuais letrados que recusem ou não queiram adaptar-se à comunicação – read and write.”Ou seja, “temos que nos pôr a pau com a escrita” – temos quem? Todas as gerações de todas as idades… O que há 2 anos era o limite do avanço, pertence já a outro tempo geracional no acesso ao conhecimento.Consciente disto, a Câmara Municipal vai ter o seu Canal de Comunicação.
Aos que acedem ao Site e que naveguem no espaço cibernético e encontram Alcobaça, desejo as boas vindas, e apelo a uma participação pela positiva, esperando que o ronronar não transforme, depois, o sofá em Fanico.Com espírito aberto, em canal aberto, Bem Vindos… ao nosso contacto…
José Gonçalves Sapinho, Dr. O Presidente da Câmara"
Extraordinário momento de prosa! Ou será antes um Ensaio?! Se há coisa caracteriza o nosso presidente da Câmara na sua relação com os eleitores são as sucessivas provas de confiança no bom-senso e na inteligência dos seus conterrâneos. Não há texto sem avisos, por vezes ameaças, sem críticas veladas ou declaradas, sem palavras autoritariamente a Bold. Na verdade é uma escrita aboslutamente transparente na sua forma elíptica e encriptada repleta de agradáveis referências (como tão bem recordou António Delgado nos seus Ecos e Comentários) e momentos de pura descoberta aqui nas "Fraldas da Serra" ! Humildemente convido todos os que visitam este blog a "uma participação positiva, esperando que o ronronar não transforme, depois, o sofá em Fanico". Assim tem sido em Alcobaça. Uma agradável disposição em Alcobaça para a troca de ideias e discussão das políticas que a todos nos afectam. Com que então Educação e Cidadania? Será que vamos assistir ao regresso da velha palmatória na Universidade Sénior?
Boas-Festas a todos!
P.S. Gostei de ouvir o arquitecto do Rossio ontem na RTP 2... que hábil manipulação de argumentos!
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
Abraço e passem pela nova capela do desterro
Miguel
Sábado, Dezembro 09, 2006
Alcobaça uma das 7 Maravilhas
7 Maravilhas de Portugal
Quarta-feira, Dezembro 06, 2006
Protestos em São Martinho do Porto
Quarta-feira, Novembro 29, 2006
V Seminário do Património do Oeste será em Alcobaça
Terça-feira, Novembro 28, 2006
Mostra de Doces Conventuais de Alcobaça
Quinta-feira, Novembro 23, 2006
Duas Obras fundamentais para Alcobaça
Fiquem a saber que, para além da parte de Pedro Barbosa (Parreitas e ocupação da envolvência da lagoa), estão previstos outros artigos muitos relevantes. Destaco o de Vasco Mantas relativo à rede viária romana na região. Acredito que poderá trazer algumas surpresas
Portanto a todos os envolvidos pedimos todos a maior celeridade na publicação da obra. São conteúdos culturais fundamentais.
Todos sabemos como funciona a política editorial das autarquias em Portugal. Raramente é programada, baseia-se em apoios pontuais através da solicitação dos autores. Segundo sei, a obra primordial de Iria Gonçalves (O Património do Mosteiro de Alcobaça nos séculos XIV e XV) sobre o nosso Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça está esgotada. Presumo que uma reedição seja uma ambição, mas, uma vez, que é uma edição da Universidade Nova assusta-me a perspectiva de termos de esperar uma década para que isso aconteça. À Câmara, ADEPA e Mosteiro lanço o apelo para que averiguem a situação e reúnam o estofo financeiro para que a obra seja reeditada. Fica o apelo também para novas estruturas associativas que irão surgir em Alcobaça…
Alcobaça ficaria realmente mais rica com a edição da obra sobre Parreitas e a reedição desta obra maior da historiografia portuguesa de Iria Gonçalves.
Sábado, Novembro 11, 2006
A Locosfera
Não vale a pena negar que para os titulares de cargos políticos não há nada de mais incómodo do que ter de responder a um blog por isso não o fazem. Os blogs são, na sua maioria, unipessoais e alguns anónimos. Responder-lhes, para os políticos, seria entrar numa personificação da política que não interessa que aconteça fora dos órgãos locais da democracia. É uma questão profunda e complexa que merece um espaço de discussão próprio.
Mesmo um eventual desequilíbrio de forças na blogosfera tende a esbater-se pela tradicional força de acção/reacção. Quando cresce o espaço de crítica aumentará a resposta contrária. Para mim isso é a democracia a trabalhar e será a força das ideias e perspectivas que fará a diferença. Disso não deve fugir a blogosfera nem o poder político.
Como em todos os locais em Alcobaça os blogs reflectem também os gostos particulares dos seus autores e é isso que a torna particularmente rica face à generalidade da imprensa local. Basta navegarem pelos blogs locais para perceberem este facto. Existe ainda outras características que aprecio profundamente:
- São janelas para o mundo, mas também para o nosso interior enquanto seres humanos:
- Se excluirmos a info-exclusão são o meio mais democrático de comunicação. São baratos ou grátis, podem chegar literalmente a todos os que utilizam a net, só dependem do esforço que o utilizador lhes coloca e são uma forma amigável para os leitores/comentadores.
Acham que chega para acabar com a diabolização da blogosfera?
Sexta-feira, Novembro 10, 2006
O Mosteiro e a Câmara
No mesmo jornal vem um artigo sobre o mesmo tema, tipicamente de quem já o tinha guardado e estava à espera da primeira oportunidade para o lançar. O engenheiro Raul Duarte tem uma forma no mínimo peculiar de colocar as questões, mas neste caso foi mesmo mais papista que o Papa. O PSD entre vários defeitos tem qualidades que os distinguem de outros partidos. A forma como funciona e mobiliza é particularmente eficaz. As ideias vão amadurecendo internamente até que, quando se torna necessário, surge a guarda-suíça pronta a defender a causa. Não há crítica nestas palavras, trata-se de uma curiosidade paralela.
A questão fulcral e a qual grande parte de nós percebemos à muito tempo é essencialmente política, mas de política local. O PSD vê em Rui Rasquilho um potencial candidato do Partido Socialista e analisa a sua prestação nesse prisma. Para além do mais a ausência de capacidade de desenvolvimento da cidade torna-a muito dependente da prestação do Mosteiro na captação de investimento, principalmente turístico. A verdade é que se o Mosteiro não teve capacidade para captar investimentos nas áreas turístico-culturais a Câmara também não!
A reacção de Rui Rasquilho foi servida com a panache que o director do mosteiro cultiva. Uma resposta diplomática, meios que bem conhece, de quem ainda não quer colocar todo o jogo na mesa. Aí está o erro da estratégia do PSD… o timing foi mau e tentou travar a onda de mediatismo do actual director.
Pessoalmente e sem querer pensar pela cabeça de Rui Rasquilho existem alguns sinais que desvendam uma eventual ambição de conquista da autarquia. O apoio à causa perdida Daniel Adrião, a própria estratégia mediática tanto serve o mosteiro como poderia servir essa, são sinais que demonstram duas coisas: fortalecimento dos laços com o PS local num momento difícil e popularidade e reconhecimento pela população.
Tudo isto são conjecturas, mas é assim que a política funciona e por isso não é necessariamente negativa, desde que o interesse público não seja colocado em causa.
Se Rui Rasquilho tiver uma estratégia ou ambição para chegar à câmara ninguém o deve censurar por isso, principalmente se até lá fizer um trabalho excelente no mosteiro!
Quanto ao PSD… é preciso ter calma e aguardar por desenvolvimentos da oposição para definir estratégia da sucessão… ou não! A reacção de Paulo Inácio já cheira a pré-candidato…
Claro que tudo isto são conjecturas!
Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Rui Rasquilho na Pública
Ouvindo o Rossio...
E sobre isto não me apetece dizer mais nada! Abraço a todos e vamos lá a ver se nos entendemos e clarificamos de uma vez por todas!
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Alcobaça, Arqueologia Medieval e Conteúdos Culturais
A ligação a Alcobaça é profunda como ficou demonstrado numa obra recente sobre a Agricultura nos Coutos de Alcobaça publicada em parceria pela Câmara Municipal e Associação de Agricultores da Região de Alcobaça. A obra é uma síntese histórica e etnográfica interessante e com o aliciante de possuir factos até aqui desconhecidos.
Regressando ao documento que aqui nos traz, começar por dizer que será de 1990. Era muito jovem para acompanhar estes movimentos e talvez por isso tenha lido com algum espanto a referência ao “Projecto de Arqueologia Medieval do Couto de Alcobaça”. Não sabia da sua existência. Em 1990 dizia o autor “que ainda não ultrapassou o estado embrionário, procedendo-se ainda ao levantamento sistemático de campo (juntamente com o trabalho de gabinete) para que possam ser definidos os primeiros objectivos e escolhidas as primeiras estações a escavar” (p. 8-9).
Ainda mais importante é a referência seguinte de que “Este projecto de arqueologia medieval para Alcobaça não nasceu de forma autónoma, mas, antes, fazia parte de um outro mais amplo, iniciado em 1981: o Plano Arqueológico de Alcobaça”.
Não vou avançar em explicações sobre o estado destes planos porque não conheço em profundidade todo o histórico dos acontecimentos. Uma vez que o panorama é mais ou menos semelhante em todo o lado avanço com algumas considerações genéricas de como muitos destes planos não chegam a ser concluídos. Em primeiro lugar porque isso é uma impossibilidade total, por mais que se trabalhe surgem sempre novas possibilidades. Em termos práticos os projectos perdem força ou terminam pelos seguintes motivos:
1. Geralmente são iniciativas e esforços pessoais de investigadores, arqueólogos e meros curiosos. Quando as pessoas se cansam ou seguem novos rumos profissionais há uma ausência de liderança e principalmente de competências.
2. São conceitos sujeitos à apreciação política de executivos autárquicos (que têm legitimidade para o fazer mas que raramente conseguem ver mais do que a despesa inerente aos projectos.
3. Dificuldade de apresentar resultados por parte das equipas técnicas que trabalham no terreno que levam à incompatibilização com os decisores políticos.
4. Falta de condições de trabalho (logística e recursos humanos) dos gabinetes locais de arqueologia. Em alguns locais do país passam o seu tempo em escavações de emergência.
5. O prolongar dos projectos por dezenas de anos retira-lhes capacidade de comunicação com as populações e com as autarquias. A partir desse momento tornam-se vulneráveis e dispensáveis.
Não sei o que se passou no caso concreto de Alcobaça, se foi algum destes motivos ou não, mas custa ver morrer ideias ou projectos desta relevância. O país tem feito um investimento considerável nos domínios da promoção e comunicação da sua cultura, mas corremos o risco de atingir o esgotamento dos conteúdos que dispomos. A produção de conteúdos implica investigação, filtragem e a sua passagem à fase de projecto. Depois disso temos ao dispor recursos com possibilidades educativas e económicas, principalmente para o Turismo.
Apostar no Turismo Cultural passa por enfrentar esta realidade delegando competências e recursos para projectos de investigação. Naturalmente esta é uma função dos organismos públicos, mas não pode nem deve ser um exclusivo seu. O trabalho das associações de defesa do património, um pouco por todo o lado, demonstra esta virtude que existe no nosso sistema. Usando e abusando, no bom sentido, dos contactos humanos que dispõem vão conseguindo produzir obras, umas melhores que outras naturalmente, mas vão conseguindo ser um pequeno repositório do conhecimento local. Um sistema tão esforçado tem dificuldade quando os projectos são mais complexos, não tendo capacidade operacional para os executar. Aí teremos de voltar às autarquias e ao poder central.
No caso concreto de Alcobaça deveríamos todos ressuscitar ideia, reformulando o que houver para reformular, definindo prioridades e consequentes intervenções. Com um mosteiro com uma nova alma e boas relações com a autarquia está criado um quadro que não existia há muitos anos.
Terça-feira, Outubro 03, 2006
O Conhecimento e as Autarquias
Ocasionalmente, em virtude da realização de algumas conferências, somos arrastados para essas temáticas mais ou menos obscuras dos Arquivos e do Conhecimento. Se valorizamos o último conceito, em virtude da sua apropriação pelas novas tecnologias, já ao primeiro atribuímos uma despicienda indiferença. Esquecemo-nos da intrínseca relação que existe entre ambos e de como o conhecimento do passado ajuda a produzir o novo.
A ausência, em tantos concelhos do Oeste e Leiria, de arquivos municipais valorizados e funcionais são um problema grave não só de preservação do património histórico, mas também um problema de gestão administrativa das autarquias. É necessário reforçar a ideia de que um Arquivo, mesmo nos moldes tradicionais, não é um equipamento meramente cultural. Não serve apenas para preservar a memória histórica de uma região. Do seu funcionamento gera-se um valor administrativo dificilmente quantificável, mas sentido na facilidade ou dificuldade com que se processa o acesso à informação das organizações. A implementação de uma política de gestão de documentos é uma forma de rentabilização económica e um acto de gestão racional. Permite terminar com incontáveis quilómetros de papel desnecessário gerado por serviços que duplicam e triplicam a mesma documentação e por documentos redundantes.
Neste domínio Portugal vive uma realidade paradoxal. Apesar da crescente, mas insuficiente, sensibilidade para as matérias da gestão arquivística e gestão do conhecimento, e do esforço financeiro de organizações e administração pública, o sector não descola, mesmo contando com o aumento crescente de profissionais com especialização superior. A resistência à mudança é ainda muito forte e os estereótipos continuam a perdurar quando falamos de arquivos. Perdura a imagem do local atulhado, poeirento e onde apenas um demente solitário se realiza profissionalmente.
Na oposição a esse estereótipo acelero para um novo conceito. A forma como encaro a convivência entre as realidades mencionadas configura-se nesta ideia: Centro Municipal de Conhecimento.
Afinal do que falo quando aqui abordo o Conhecimento?Com a Economia cada vez mais a tomar conta da palavra podemos dizer que o Conhecimento é todo o saber estudado, publicado, mas também o saber de experiência, de vivência, que nos acompanha a todos, por vezes de forma quase invisível. É algo quase etéreo que faz de qualquer um de nós um potencial de valorização de um projecto empresarial ou de outra natureza.
Para que serve?1. Como forma de reforçar laços de união, cooperação, competição, quer numa comunidade, numa organização não governamental, quer numa empresa, apesar das dinâmicas próprias que possuem;
2. Fomento de laços de identificação entre pessoas. Por exemplo, através do conhecimento histórico para entendermos o nosso Passado e Presente, através de estudos sociológicos para nos retratarmos individual e contextualmente, através de estudos de cariz económico para percebermos as vantagens competitivas que possuímos face ao restante mundo globalizado.
3. A globalização faz-nos procurar formas de diferenciação baseadas no nosso conhecimento, mas também na inovação com que o encaramos e aproveitamos.
Chegamos assim a um ponto fulcral do conceito que defendo: o arquivo depósito de documentação acessível a estudiosos e facultador de documentos aos serviços administrativos, pode ser a visão possível, mas não deixa de ser redutora nos tempos que correm. Qual o papel que deve ser concedido ao Conhecimento ao nível local?
Aquele que assente nos pressupostos mencionados anteriormente. Assente na perspectiva de que deverá ser uma vantagem competitiva de eleição para toda a região. Isso implica que se pense de uma forma integrada abarcando instituições políticas, culturais, educativas e económicas. Perceber que, nestes domínios, não existem planos de curto prazo, tudo tem de ser objectivado num cenário, de pelo menos, uma década.
Porquê um Centro Municipal do Conhecimento?
Porque seria uma estrutura muito mais abrangente em termos de raio de acção, com capacidade de absorção e interacção com o meio económico local (não só o cultural). Porque seria uma renovação da forma como a administração pública encara o conhecimento como sector vital do desenvolvimento.
Um Arquivo Municipal tem como atribuições fundamentais as que defini anteriormente: - Preservar a documentação de valor probatório e histórico, não só da Câmara Municipal, mas também de qualquer outra instituição, entidade ou particular, com relevância local ou nacional; - Disponibilizar ferramentas de acesso a essa mesma documentação e à sua informação; - Apoiar a implementação de uma política arquivística na estrutura administrativa da Câmara Municipal, gerando instrumentos de descrição, classificação e avaliação.São necessidades primárias e às quais é preciso dar resposta como arquivo municipal ou centro do conhecimento. Neste aspecto a denominação está longe de ser o fundamental.
No entanto, enquanto Centro Municipal do Conhecimento reforçamos a forma de encarar o Conhecimento no modo como hoje é defendido por economistas, políticos e cientistas. Gerando conteúdos para o público em geral, mas assumindo posturas sectoriais, por exemplo nestes três sectores:
Economia: permitir à Cultura um papel de fomento da inovação empresarial. Por exemplo: uma empresa de faiança precisa de um estudo histórico para entender as características específicas da região em que se insere e poder utilizá-las como uma vantagem de negócio. São conteúdos desta natureza que têm de ser identificados e cujo acesso deve ser facultado pelo centro. Outros exemplos: - Uma empresa de trabalhos gráficos recorre frequentemente a documentos histórico-artísticos para as quais poderá ter de despender horas em investigação, para a qual não estão preparados, ou então recorrem a ideias e estereótipos que pouco têm a ver com a realidade. O Centro teria todas as condições técnicas para fornecer esse serviço. - Compilação de dados estatísticos disponíveis de organismos públicos e privados para sectores chaves da economia local.
Política: aumentar e qualificar a informação de referência sob a forma de dossiers técnicos fornecendo elementos de contexto aos decisores políticos. Exemplo: Gerar conteúdos para serem desenvolvidos na programação cultural municipal e desenvolvimento turístico local. Fornecer informação de referência para contextualização de grandes obras públicas.
Ciência: Tornar o centro numa plataforma de saberes. O acesso a publicações científicas, funcionando como um clipping pode ser interessante para empresas de bases tecnológicas, mas também para sectores tradicionais, cada vez mais abertos à inovação, como a agricultura. Existindo empresas da mesma base tecnológica porque terá cada uma de assinar publicações periódicas quando todas poderiam aceder num mesmo local?
O Centro Municipal do Conhecimento reflectiria, de alguma forma, a evolução da forma como se encara o conhecimento e os seus suportes, actuando de forma integrada em dois domínios:
A) Gestão arquivística. Competências básicas definidas nas atribuições dos actuais Arquivos Municipais: Avaliação, selecção e eliminação de documentação; definição de circuitos documentais e fluxo da informação da instituição; Implementação de políticas de comunicação com os utentes; Migração e implementação de novos sistemas de gestão de documentos electrónicos, etc.
B) Cenário de Partilha do Conhecimento: fazer de uma cidade ou região um território inteligente, de inovação, com o objectivo de captar dinâmicas externas e transportá-las para o seio das organizações de uma forma que gere valor; Conhecer o capital intelectual a apoiar no concelho; Fazer das novas tecnologias o veículo de circulação do conhecimento.
Concluindo… o Centro Municipal de Conhecimento é uma estrutura mais vocacionada para a partilha de conhecimento do que um Arquivo Municipal. Procura antecipar as necessidades em vez de esperar por elas. É uma estrutura transversal às necessidades de um território e seus habitantes. O conceito implica conhecimento da realidade, visão estratégica, ousadia, investimento, mas também uma rigorosa avaliação dos resultados. Mas mais do que tudo implica empreendedorismo. Afinal não é disso que precisamos? Ou isso é apenas para os privados?
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
Bem gostava...
Quarta-feira, Agosto 30, 2006
Diário de uma visita nocturna II
Vem este preâmbulo a propósito das obras de requalificação de S. Martinho do Porto. Mantenho aquilo que disse no que concerne à definição de prioridades e espero que a Câmara Municipal avance na circular de escoamento do trânsito que vem de Salir, que pense em soluções definitivas para o estacionamento e, depois disso, quem sabe se não será possível retirar o pouco estacionamento que resta em frente das esplanadas.
Vi nesta obra um cuidado que não vi em Alcobaça. A praça inclinada é bem menos inclinada e houve reutilização das cantarias do paredão. As árvores foram cortadas, mas foram colocadas outras que permitem uma vivência que, na verdade, não existia na sinistra praça anterior.
O cuidado com o ambiente nos acessos à praia são de uma qualidade invulgar e parecem-me uma solução duradoura para travar a erosão das dunas. A ciclovia é esteticamente bonita apesar de não me parecer muito funcional porque é muito estreita. Já o passeio me parece irrepreensível, com uma calçada muito bonita e mais espaço de circulação.
Houve uma preocupação de reaproveitamento e de revolução na continuidade que apreciei particularmente. O resultado está à vista… gente e mais gente a passear, mesmo sem iluminação definitiva.
Deixo um reparo para que a câmara, em vez de construir o elevador, prolongue o passeio até à estrada que vai para Salir. Esta interrupção de linguagens urbanísticas salta demasiado à vista e faz com que no espaço de um quilómetro tenhamos três opções diferentes: a nova, a velha e a que está a ser utilizada a partir de Salir.
De qualquer forma e apesar de todos os problemas que alguns têm vindo a denunciar, e sobre os quais não me atrevo a pronunciar porque não conheço, não deixou de ser um afagar da alma, depois desse terramoto chamado Rossio.
Inverteram-se as prioridades nas intervenções necessárias, mas estamos a tempo de fazer o que precisa de ser feito. Ah… e não aconteceram mudanças irreversíveis, daquelas que nos podemos arrepender no futuro…
Quarta-feira, Agosto 09, 2006
Leiam com atenção!
A centralidade escolhida no Oeste, Caldas da Rainha, reflecte a realidade do posicionamente estratégico de Alcobaça. Nem uma referência à estação do Valado dos Fradesque serve a sede de dois concelhos: Alcobaça e Nazaré. A decisão é da CP, mas salvo alguns comentários ou pressões políticas, pouco foi feito para evitar esta realidade. Não há uma rede de transportes públicos que sirva a estação, não há estacionamento e não há qualquer estratégia turística local. Isto meus amigos não é responsabilidade da CP.
O tema não é fácil, mas não basta exigir ao governo e à empresa um investimento tão estrutural se não avançarmos no terreno com estratégias que permitam que funcione.
A periferia e a interdependência do concelho é cada vez maior e reflecte uma perda de vitalidade preocupante.
Notícia jornal Público
Terça-feira, Julho 25, 2006
Alexandre Delgado
Alexandre Delgado não é só um intérprete, um músico, alia essa qualidade a outras como a capacidade de investigação histórica, os conhecimentos do meio e, além de tudo isso, é um comunicador nato. Alguém que se sente bem falando para uma plateia na Benedita ou na Gulbenkian. A propósito da Benedita não me esqueço da lição pedagógica (nunca ofensiva ou arrogante) num concerto no Centro Cultural, quando o público batia palmas sempre que mudava de Andamento. No final da obra, levantou-se e na sua forma expressiva disse qualquer coisa como isto… no mundo da música, actualmente existe uma convenção relativa a que não se deve bater palmas entre os andamentos (já tinha explicado o que eram!), mas se o quiserem fazer podem fazê-lo porque nem sempre foi assim. Noutras alturas as pessoas chegavam a bater palmas a meio da interpretação bastava que tivessem gostado da interpretação de um solista por exemplo. Já agora a próxima obra tem cinco andamentos…
O concerto continuou e o tempo entre os andamentos foi passado no mais absoluto silêncio!
Cada caderno do Cistermúsica é um manual de introdução à música, mas ao mesmo tempo uma fonte para todos aqueles que já conhecem alguma coisa. É um festival com uma programação de elite, mas que atinge públicos que noutras circunstâncias se sentiriam desfazados. O único reparo que aponto foi o facto do festival se estar a afastar de povoações como a Vestiaria, onde era claramente um evento com um impacto notável. Bem sei que o cine-teatro tem melhores condições, mas a difusão radial do festival era uma característica que seria importante não perder. Cós é a prova disso. Mas isto são factos de somenos importância no contexto deste post.
Sinceramente espero que não seja um ponto sem retorno e que exista alguma forma de Alexandre Delgado continuar a gerir o Cistermúsica. A Câmara Municipal demonstrou inteligência na sua contratação e por isso merece ser felicitada, pois ressuscitou um evento moribundo. À Câmara deixo o pedido que vá até onde lhe for possível para que o Cistermúsica continue a contar com Alexandre Delgado.
Quinta-feira, Julho 06, 2006
O meu novo projecto na blogosfera
Sábado, Junho 24, 2006
Toda a história e algo mais
A minha resposta...
Ex.ma Sra.
Recebi o seu e-mail com alguma surpresa, mas admitindo que eu possa ter sido a fonte da incompreensão. No entanto, escrevo-lhe para perguntar se não me enviou um mail (reencaminhou o meu) onde o único texto da vossa parte afirmava que para mais informação teria de contactar o vosso Departamento de Marketing?
Nada afirmava, nesse mail, que teria de aguardar uma resposta da vossa parte, pareceu-me inclusivamente de alguma indiferença face ao que tinha escrito. Assim sendo tomei a liberdade de publicar o seu texto, de forma integral. Repito, de forma integral e impoluta.
Quanto às considerações que teceu, ou melhor o seu jornal, sobre a minha pessoa, não comento. No entanto chamo atenção que todos os meus textos são identificados e não sou eu quem faz a confusão entre os dois jornais "regionais". Conheço a diferença entre ambos os jornais e o facto comentado de forma errada, foi imediatamente detectado por outro leitor do blog. Logo estranho a forma como a crítica me foi lançada.
No entanto peço as minhas desculpas pela publicação, mesmo que tenha partido de um acto de comunicação falhada de parte a parte.
Cumprimentos,
Miguel Trindade Silvestre
P.S. Reservo o direito de publicar a minha resposta no mesmo espaço, dando inclusivamente algum tempo para análise individual de cada leitor.
Quarta-feira, Junho 21, 2006
Resposta do jornal Região de Leiria
Miguel Silvestre
Constatamos com profundo desagrado que a nossa resposta ao seu comentário, sobre a atribuição do Troféu Afonso Lopes Vieira ao Arquitecto Gonçalo Byrne, se encontra publicada no blog “Capela do Desterro”, sem autorização prévia da nossa parte.
O senhor fez o pedido para a publicar, mas não soube esperar pela resposta. A blogosfera, aquele que diz ser “o meio encontrado por todos aqueles que discordaram do processo e da obra [requalificação de Alcobaça] devido à falta de investigação jornalística da imprensa local”, exibe comentários à posição do Região de Leiria verdadeiramente inaceitáveis, pela inexactidão e sobretudo pela falta de seriedade.
A título de exemplo, registamos a confusão entre o Região de Leiria e o Jornal de Leiria e a observação que faz ao nosso “silêncio” sobre a obra de Alcobaça. A primeira revela um desconhecimento total em matéria de imprensa regional, e não local como lhe chama. A segunda é sintomática da sua falta de capacidade para ver a floresta, preferindo atentar numa árvore que não colhe as suas preferências.
Tal como o Miguel Silvestre, também achamos que os que frequentam o seu blog têm o direito à opinião, seja ela qual for, mas também de ouvir a nossa explicação e fazer o seu próprio juízo. Nesse sentido, gostaríamos que também inserisse esta nossa mensagem, para que os seus frequentadores possam ver a diferença entre blogs e jornais. Em matéria de rigor e seriedade, estamos a anos-luz.
Se não publicar esta nossa resposta, tiraremos as devidas ilações e tomaremos as medidas que entendermos convenientes.
Com os melhores cumprimentos
Patrícia Duarte"
Quarta-feira, Junho 14, 2006
A resposta do jornal Região de Leiria
Miguel Silvestre
Em resposta à mensagem que nos enviou, na qual contesta a atribuição do Troféu Afonso Lopes Vieira ao Arquitecto Gonçalo Byrne - na categoria “Personalidade” e não “Personalidade do Ano” como refere - informamos que a decisão partiu de uma reflexão conjunta da direcção e da redacção do jornal, tendo por base diversos factores.
Como certamente saberá, a obra do Arquitecto Gonçalo Byrne não se resume ao projecto de requalificação do centro histórico de Alcobaça. É vastíssima e digna de registo. Uma pesquisa rápida no Google permite-lhe ter essa noção. Mas se não o quiser fazer, destacamos, a título de exemplo, algumas das suas participações em concursos: o Centro Cultural de Belém, com o 2.º prémio; o edifício central da Universidade de Aveiro, com o 1.º prémio; o grande espaço coberto para assembleias, no Santuário de Fátima, com o 2.º prémio; e o Parque Urbano Forlanni, na cidade italiana de Milão, com o 1.º prémio.
Porém, a intenção do Região de Leiria não é premiar a obra. Nem tão pouco, como refere na sua mensagem, “um projecto e um processo” em concreto. A intenção foi distinguir o homem e, nesse sentido, a nossa convicção é de que, enquanto profissional, Gonçalo Byrne nunca relegou para um plano secundário a responsabilidade cívica e cultural dos seus projectos de arquitectura. Nunca se furtou ao debate de ideias, nem virou as costas às divergências que as suas intervenções suscitaram. Para o Região de Leiria, essa é uma razão maior para lhe atribuir um prémio.
Foi o cunho cívico da obra de Gonçalo Byrne e o seu mérito profissional, académico e humanístico que levaram a Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa a atribuir-lhe as insígnias de doutor honoris causa e que estiveram na origem da decisão do Presidente da República de o agraciar com a Cruz de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. A estes aspectos também o Região de Leiria não fechou os olhos.
Acresce a todos estes factores, o facto de o Arquitecto Gonçalo Byrne ser natural de Alcobaça. Como sabe, os Troféus Afonso Lopes Vieira visam distinguir pessoas e instituições da nossa região.
Quanto ao comentário que tece sobre o facto de ter sido o Dr. Gonçalves Sapinho a entregar o troféu, o seu raciocínio vai longe de mais. Na verdade, foi o Sr. Presidente da Câmara que entregou o prémio pela simples razão de que Gonçalo Byrne é natural de Alcobaça.
O Região de Leiria recebe de bom grado todas as observações que os seus leitores entenderem fazer, mas não pode deixar passar em branco afirmações que não correspondam à verdade. Quando o Sr. Miguel Silvestre lamenta “profundamente” que o nosso jornal “se tenha associado a esta forma de estar na gestão pública” está a fazer um juízo errado, não só do propósito dos Troféus Afonso Lopes Vieira, como também das intenções de quem seleccionou os premiados.
Em ambos os aspectos esperamos, sinceramente, que esta mensagem o possa elucidar. Continuamos ao dispor para todos os esclarecimentos de que necessitar.
Com os melhores cumprimentos
Patrícia Duarte
Departamento de Marketing
Sojormedia, SA"
Sexta-feira, Junho 02, 2006
Byrne ganha um Prémio
Sexta-feira, Maio 19, 2006
E dura, dura...
Sexta-feira, Março 31, 2006
Sucedem-se os acidentes
Quinta-feira, Março 09, 2006
S. Martinho: Diário de uma Visita Nocturna
Do que conhecia do projecto nomeadamente da maquete, a opinião não era favorável. Pareceu-me mais um lifiting arquitectónico do que uma obra estrutural e inserida num projecto de desenvolvimento.
Colocando sob reserva o facto de não ter interpretado bem a maquete (digo-o sem ironia) causou-me espanto o facto de se orçamentarem 5 milhões de euros e não estar contemplado duas coisas que me parecem fulcrais: um parque de estacionamento para utilizadores da praia e uma circular que afastasse o trânsito que vem de Salir para Alfeizerão, Famalicão da Nazaré ou mesmo para o núcleo antigo de S. Martinho. Deparei com um passeio alargado junto à praia, suprimindo estacionamento, a depuração de uma praça e um elevador sem glória.
Segundo sei existem componentes do património histórico local que não foram, mais uma vez, devidamente contempladas. No entanto, nem pego por aí, para não ser acusado de algum fundamentalismo profissional!
Mais uma vez foram efectuadas apresentações públicas logo todos somos responsáveis…
P.S. Uma nota surrealista para a placa de informação do espaço Palace do Capitão: “Turismo Rural”??!! Será que ninguém se lembrou de Turismo de Habitação?! E a localização da placa?! Quem entra na Marginal é absorvido por placas de informação, só faltava isso depois das construções que retiraram sol à praia. Só é preciso bom-senso…
Terça-feira, Janeiro 31, 2006
A Erosão da Oposição
Ao actual executivo autárquico é frequentemente criticada uma postura sobranceira face à crítica e uma dificuldade na comunicação da sua mensagem. Os resultados eleitorais demonstram que essa crítica, não estando forçosamente errada, também não tem a força que seria natural caso se confirmasse esse argumento. Se fosse essa interpretação da maioria dos cidadãos então os resultados das eleições não seriam uma vitória tão esmagadora. Também a esta equação faltaria uma última e decisiva parcela: uma oposição sólida, credível e coerente.Em Alcobaça, neste momento, não existe oposição. Se exceptuarmos a acção de Rogério Raimundo, o vazio político, ideológico e estratégico é preocupante.
O actual vereador da CDU representa a terceira força política do concelho, muito à custa da sua imagem pessoal, conseguindo resultados que ultrapassam em muito o eleitorado tradicional comunista no concelho. Consegue mesmo ir buscar algum eleitorado tradicional ao Partido Socialista, que, na minha opinião, é uma força política que rondará os 35% do eleitorado do concelho.
Como pode então a oposição, no seu conjunto, representar este valor? A resposta é dura, mas apenas pode ser uma, falta de credibilidade.
Enquanto CDU e BE vão fazendo o seu papel de reconhecimento do seu terreno tradicional, actuando em consonância com a performance das estruturas nacionais, aproveitando o mediatismo de algumas das ideias que fazem escola nos seus partidos, no PS Alcobaça, as vitórias nacionais do partido têm pouca ou nenhuma expressão nos resultados autárquicos.
Há um concelho que não se importa votar no PS quando se trata de eleições europeias ou até mesmo nas eleições legislativas, mas que o castiga severamente quando chega à altura de votar para o executivo autárquico e para a Assembleia Municipal. Depois de dois resultados eleitorais catastróficos nas duas últimas eleições autárquicas, o concelho assiste impávido e até sereno a esta suave corrosão de uma saudável democracia local. A falta de oposição prejudica-nos a todos enquanto munícipes, faz baixar os nossos níveis de exigência e as nossas expectativas, diminui a capacidade fiscalizadora face ao executivo e diminui a necessidade de justificar medidas e opções políticas por parte desse mesmo executivo. O vazio nunca é uma alternativa.
A competitividade que estimulamos noutros sectores da sociedade também aqui tem de ser assumida frontalmente. A resposta dada pelos cidadãos é clara: não reconhece credibilidade ao projecto de oposição que tem vindo a ser defendido para o concelho. Os seus mentores e defensores políticos não colhem a credibilidade dos cidadãos, assim sendo como é que esta situação se mantém? Por diversas circunstâncias e talvez a primeira é que também aí, pelos vistos, não haverá oposição. Alcobaça sofre neste momento de um fenómeno de erosão da oposição em cadeia. Escrutinada pelo eleitorado não parecem existir oposições internas que virem posições.
Nem tudo é mau neste fenómeno, enquanto a sociedade política local perde eficácia e espaço de manobra, as posições têm vindo a ser assumidas por cidadãos e movimentos cívicos. Perde-se em capacidade estratégica e durabilidade de intervenção, ganha-se em espontaneidade e credibilidade. Os especuladores políticos também existirão nestes movimentos, mas a sua censura é muito mais eficaz do que aquela que acontece (?) nos partidos políticos.
Uma oposição credível deveria ser uma prioridade para o concelho, até mesmo para o actual executivo! Quem não deve, não teme. A acção quando assente num quadro de combate político leal e credível revela-se mais sólida.
Naturalmente que todos os que estão mais atentos às notícias locais percebem também o porquê deste texto. Não deixando de ser uma continuidade da leitura das eleições autárquicas é mais do que isso… é uma constatação da realidade e uma incompreensão perante um cenário onde o concelho perde na sua globalidade. Um principal (?) partido da oposição tão fraco, faz crescer uma letargia anestesiante no concelho e transforma a discussão política e estratégica do concelho numa manifestação deficitária e sem capacidade sincrética de enriquecimento. Se a isto juntarmos uma dose de autismo percebemos o porquê do grande eixo para o desenvolvimento da cidade ser a transformação desta região “nas fraldas da Serra” na “zona chique de Lisboa”. A tudo isto a oposição não tem posição. Não há alternativa para o estabelecido.
Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
A razão do meu silêncio
Brevemente espero apresentar à consideração de todos o meu projecto quanto ao desenvolvimento económico da cidade assente na mais valia cultural. Como não vivo disto e vou-me partilhando por outros projectos esta capela vai sofrendo devido à sua periferia... No entanto deixo aqui algumas das palavras-chave que darão os conceitos, que estruturarão o projecto:- IQ magnet region
- Centro Municipal do Conhecimento
- Alcobaça Wellcome Center
- Clusters culturais
- Bienal de Arte Contemporânea
Aos interessados só peço paciência e colaboração. Enquanto isso, este é um espaço aberto a todos.
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
Autárquicas em Alcobaça
Foi uma vitória de Gonçalves Sapinho e do PSD local, em grande medida porque souberam transmitir uma imagem de proximidade com os problemas das pessoas que a candidatura do PS, num desenfreado megalomanismo, não conseguiu. A actuação política do actual executivo reflecte uma visão paradoxal do poder autárquico que faz escola na maioria dos portugueses. Há uma linha de gestão farónica, de grandes obras públicas, onerosas e muitas vezes mal programadas, e uma outra linha de gestão do quotidiano ou de quintal. Ambas continuam simbolizar o poder autárquico um pouco por todo o país.
No caso de Alcobaça, não ouvimos um Projecto para o desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento. O desenvolvimento do sector industrial continua remetido para as discussões estéreis sobre as áreas de implantação industrial e o comércio está reduzido aos poucos metros quadrados das lojas para turistas. Não houve uma apresentação de projectos pensados e planeados. Sapinho marcou pontos nos assuntos do quotidiano e quando lança a necessidade de uma nova ligação rodoviária de Alcobaça à Benedita. Muitos já tinham falado disso, mas nenhum é neste momento Presidente da Câmara Municipal! A presença esmagadora do PSD nas Juntas de Freguesia é também um facto muito importante. Sem querer fazer extrapolações de resultados eleitorais distintos, convém referir que nas últimas eleições legislativas o PS conquistou 11 freguesias. Nem todo o concelho é a Benedita, onde ganha sempre o PSD. Este aspecto só dá mais força à vitória do PSD.
Inegável é a derrota do Partido Socialista. Conseguiu ter menos 1800 votos do que nas anteriores autárquicas, já de si desastrosas. O PS fica abaixo dos 20% e apenas consegue um objectivo, continuar a ser a segunda força política do concelho. O PS consegue inclusivamente “perder” o seu actual vereador António José Henriques, que parece estar cada vez mais próximo de Gonçalves Sapinho! Da derrota do PS este será apenas o facto mais controverso e que só o vereador mencionado poderá esclarecer, no entanto tudo o resto é muito claro.
Depois deste resultado, em qualquer estrutura partidária do país, só existiria um caminho: o líder apresentar a sua demissão e o partido entrar numa profunda reflexão. Depois de uma década do mesmo executivo camarário como possível que o PS não tenha conseguido capitalizar nenhum retorno político? O cenário laranja atingiu as juntas de freguesia com uma força de tal ordem, que só a Maiorga resistiu! O PS não tem uma estratégia para o concelho que os seus habitantes reconheçam como credível, logo exequível. O seu líder estuda os dossiers, mas não consegue ser a segunda força política da sua área de residência e onde à partida deveria ser o seu terreno mais forte. Daniel Adrião é um homem marcado pelos ritmos tropicais, para quase todos os alcobacenses, o Carnaval que idealizou e realizou foi um fenómeno, mas no sentido de efémero da palavra. Essa imagem parece-me que se difundiu ao próprio candidato. Se o seu objectivo ou ambições passam pela conquista da presidência da Câmara Municipal ou muda radicalmente de estratégia fortalecendo a sua imagem ao nível de competência técnica e realização ou aguarda pacientemente que o poder esmagador do PSD no concelho se vá fragilizando, em virtude de um certo autismo que sempre acontece nessas cirunstâncias. No entanto, esta parece-me uma táctica arriscada, pois mesmo que essa seja a vontade do líder, dificilmente será a vontade dos militantes socialistas locais.
O efeito Rogério desvaneceu depois dos resultados animadores de 2001. As aspirações da CDU eram ambiciosas e quase foram atingidas: suplantar o PS como segunda força do concelho. Rogério Raimundo continua a somar aos votos do seu eleitorado tradicional, os votos dos críticos do actual executivo camarário, mas não consegue descolar em direcção ao eleitorado do centro que lhe reconhece méritos, mas que se revela incapaz de enfrentar o trauma vermelho. A sua campanha tem imaginação, mas continua execessivamente centralizada na figura de Rogério Raimundo. Falta, na minha opinião, uma estratégia que leva à identificção da CDU com uma equipa de pessoas, com competências técnicas diversias e claramente atribuídas. Só assim a CDU conseguirá criar um projecto e uma dinâmica que tem vindo a perder.
Uma palavra para os partidos mais pequenos. O CDS-PP marcou presença em circunstâncias internas muito difíceis, fruto da dedicação do seu candidato, mas revelou uma dignidade de enaltecer. Longe da espuma da discussão, dos cartazes e jantares de centenas de pessoas, definiram um objectivo modesto e apostaram na área do concelho onde são mais fortes. Saem de cabeça levantada e respeitados enquanto pessoas.
O Bloco de Esquerda, de quem se esperam resultados surpreendentes, teve resultados modestos, que revelam que não houve tempo para criar uma campanha, um programa e para agitar a sensibilidade dos habitantes do concelho. Escolheram um alvo importante, o Ambiente, mas não conseguiram dinamizá-lo e torná-lo numa referência incontornável da campanha. Isso para um partido como o Bloco de Esquerda, mesmo que a nível local, tem sempre de ser um obectivo.
P.S. Não acham estranho que só depois das eleições, um jornal local tenho publicado uma notícia sobre as investigações da Polícia Judiciária aos procedimentos que culminaram na obra do Rossio?
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Para que servem os municípios?
Este é, pois, o momento para que se lance um olhar reflexivo sobre o que representaram 30 anos de experiência autárquica no desenvolvimento regional e no envolvimento de cada comunidade na discussão e resolução dos seus problemas, a base para a afirmação de uma cidadania plena.
É justo sublinhar o papel de muitas câmaras municipais na construção de infra-estruturas - água canalizada, esgotos -, tanto mais que tal trabalho permitiu arrancar largas franjas do território nacional de um atraso provocado por perto de cinquenta anos de regime autoritário. É a implantação desses equipamentos que permite falar em higiene e salubridade públicas. Por outro lado, foram e são as autarquias responsáveis por uma política de apoio às colectividades e associações que, concorde-se ou não com os critérios e estratégias muitas vezes introduzidos, permitem a descentralização de eventos culturais. No entanto, abundam os casos de insuficiência das autarquias, situações que mancham os órgãos do poder local e os seus representantes. Tais casos não são provocados por carências de meios que, muitas vezes, foram malbaratados em nome de ideias e políticas de desenvolvimento erradas ou inexistentes, na caça ao voto ou, mais grave ainda, em proveito próprio dos decisores.
Os casos de autarcas apanhados nas malhas da justiça por suspeita de corrupção são frequentemente notícia. As investigações em torno de presidentes de Câmara como Avelino Ferreira Torres e Isaltino Morais contam-se entre os exemplos mais mediáticos. O edil de Marco de Canavezes, agora candidato à Câmara de Amarante, parece representar o lado mais sombrio de 30 anos de poder autárquico. No poder há 22 anos, Avelino Ferreira Torres deixa atrás de si uma herança que se traduz por elevados índices de população excluída do acesso à rede pública de águas e esgotos (76 e 82 por cento, respectivamente). Uma reportagem publicada na revista Pública de 12 de Junho de 2005 revela-nos um concelho vítima do betão e de uma politica de construção de equipamentos levada a cabo sem planeamento aparente, como se o único critério de decisão fosse o próximo acto eleitoral. Aliás, a política de obras municipais, aliada à pródiga distribuição de subsídios por instituições locais de vário cariz, assume-se como o método mais eficaz de sustentar clientelas, condição necessária à sobrevivência política de muitos presidentes de Câmara, que conquistam por essa via o título de dinossauros autárquicos.
No entanto, a montante de questões como a do aproveitamento do poder em benefício próprio, sobra um grande défice de planificação concelhia, défice esse que aumenta se pensarmos numa realidade intermunicipal, em que câmaras vizinhas vivem frequentemente de costas voltadas.
É de planeamento que falamos quando questionamos infra-estruturas como a zona industrial do Casal da Areia, o seu papel no desenvolvimento económico de um concelho como de Alcobaça, a pertinência do local escolhido face aos acessos existentes aquando da sua criação, em 1992 (lembre-se que a A8 ainda não existia), e as condições concedidas de forma a atrair novas industriais.
É da necessidade de um verdadeiro planeamento para o concelho que falamos quando questionamos qual o lugar das obras de requalificação urbana em curso em Alcobaça numa estratégia de desenvolvimento. Vem, a este propósito, recordar que uma das justificações apresentadas por Gonçalves Sapinho, aquando da apresentação do projecto de intervenção no centro histórico de Alcobaça, prendeu-se com a necessidade de não deixar de trazer para o concelho verbas do III Quadro Comunitário de Apoio que, de outra forma, escapariam. Parece mais que questionável a utilização de argumentos desta ordem para justificar a premência de um projecto que, pela sua grandiosidade, terá óbvias consequências no dia-a-dia dos munícipes, tanto mais que a utilização de verbas da União Europeia é feita a título de comparticipação, o que implica um grande esforço para as finanças camarárias.
Não pretendo deitar mais achas para a discussão acerca do mérito estético ou a funcionalidade da intervenção no Rossio, a conformidade da obra com um certo legado histórico. Não pretendo sequer questionar a necessidade de alterar a relação entre o Mosteiro e a praça que lhe é fronteira, realçando a monumentalidade daquele edifício, ou averiguar até que ponto o resultado final cumpre aquele objectivo. O que está em causa é, sublinho, a necessidade de se pensar estrategicamente a realidade concelho, e que a necessidade de valorizar turisticamente o território dos contos de Alcobaça englobe também zonas mais periféricas como o litoral norte do concelho.
Mas antes de pensar em valorizar e rentabilizar o património natural e construído, é necessário que a Câmara não esqueça as suas responsabilidades no que toca à preservação do que já existe, para que não se repitam erros como os que ameaçam as falésias de São Martinho do Porto e que obrigarão ao dispêndio de recursos públicos em mais projectos de requalificação.
José Augusto Pereira
Domingo, Setembro 04, 2005
A polémica saudável continua
“Para aqueles que sempre olharam para o Mosteiro, o que vêem hoje é uma fachada sem proporção, soterrada, uma escadaria anulada, uma adulteração de prioridades. Com esta praça a fachada do Mosteiro à sua construção barroca não teria esta configuração, as cotas dos terrenos seriam rebaixadas (solução mais que provável) ou então teríamos uma fachada de maior dimensão do que a actual."Pediu para rebater apenas um dos seus argumentos. Não o pretendo fazer. Apenas escolhi esta sua afirmação para tecer algumas considerações que o possam elucidar.Em primeiro lugar o Rossio nunca foi uma praça. A sua origem resulta de um espaço sobrante entre a Abadia e a Vila, aquilo que o arquitecto Gil Moreira classificou de "terra de ninguém". Daí que o anterior desenho do Rossio, acentuando uma axialidade da fachada do mosteiro com o seu espaço fronteiro, fosse a procura de uma regra geométrica artificial, pelo facto de negar a história e o património que este espaço "carregava": a sua relação com a orografia(relevo do terreno) e a hidrografia (a proximidade dos rios).O trabalho de Byrne para o Rossio assenta sobre estas prerrogativas.Em relação à fachada barroca da Igreja do Mosteiro e às suas proporções, lamento desiludi-lo mas, aquando da sua construção, as cotas do terreno eram ainda mais altas. As escadas de acesso à Igreja tinham originalmente apenas um lanço(para sul), um lanço e dois degraus (para poente), e um lanço e 4 degraus (para norte). O rebaixamento de cotas foi feito para aumentar(?) uma monumentalidade (que o Mosteiro sempre tivera) aquando da visita da Rainha de Inglaterra ao nosso País (e a Alcobaça).Daí que também não compreenda tanto alarido por caso do encobrimento de uns degraus que, efectivamente, nunca existiram.Relativamente ao comentário de Dora Mendes também apenas dois reparos:
Respondendo aos seus argumentos Pedro devo dizer a título de preâmbulo que me parece que as nossas divergências quanto ao processo e ao seu resultado só poderão ser debatidas à mesa de um qualquer café, com uma longa tertúlia!
No entanto não posso deixar de contra-argumentar... Tenho ouvido todos os defensores do projecto utilizarem o argumento, que o Pedro também invoca, de que o “Rossio nunca foi uma Praça” e utilizando uma expressão do arquitecto Gil Moreira, “terra de ninguém”, para defender essa alegada continuidade histórica.
Primeiro o nome do artigo do arquitecto Gil Moreira onde essa expressão é utilizada é o seguinte: “Rossio de Alcobaça. Praça ou terra de ninguém?”. Atente no pormenor da interrogação. Logo na introdução do artigo o autor refere: “O Rossio, antigo terreiro fronteiro aos estabelecimentos monacais, embora incluído dentro da área antiga cerca (até para fácil acesso às margens do Rio Baça) era uma espécie de terra de ninguém, pois não existindo à partida núcleo urbano, também não seria habitualmente frequentado pelos monges, cuja rotina diária se desenrolava no interior da grande massa edificada.”
O projecto anterior do Rossio padecia realmente da acentuada “axialidade da fachada do Mosteiro” por isso nunca o defendi, por isso também queria a mudança, e me entusiasmei com a possibilidade de uma requalificação séria. Mas aquilo que anteriormente o Mosteiro possuía era a vivência cruzada de praça, onde os locais no seu quotidiano se misturavam com turistas. Neste momento no Rossio somos todos turistas.
O Pedro refere ainda a questão da escadaria e da fachada. Escolheu o parágrafo aparentemente menos factual do meu texto, o que considero de engenhosa acutilância! No entanto quando escreveu a descrição da escadaria (sinceramente desconheço a fonte de onde a retirou) pergunto se conhece a seguinte: “a sua forma [fachada] é a seguinte: vindo de fora a entrar na igreja se oferece primeiro um átrio descoberto alto e quadrado, chamado vulgarmente patim com três faces e três entradas (...) sobem a ele por três escadas metidas no corpo do mesmo átrio; a da face principal (...) é largo 52 palmos e tem 18 degraus (...) as outras duas têm igual largura e altura e estão uma a norte, a outra a Sul” (SANTOS, Frei Manoel dos. Descrição do Real Mosteiro de Alcobaça. 1716, p. 33). Fica assim constatado que a leitura da fachada e da escadaria não é tão linear como apresentou. A escadaria era igual em todas as suas faces, mesmo com a inclinação do terreno. Apesar disso mais uma vez afirmo que a questão dos degraus está longe de ser o problema que mais me incomoda. O mesmo não posso dizer da leitura da fachada. Pergunto ao Pedro se a anulação da escadaria principal, do acesso principal ao Mosteiro, também foi uma “recolocação histórica”?
Em relação ao desnivelamento do terreno terá o arquitecto dado a devida atenção a estas palavras: “A parte do terreno mais elevada [frente à Ala Sul] tencionavam os frades nivelar para que o edifício ficasse completamente simétrico. Sabemos isto por umas escavações onde apareceram os alicerces que indicavam essa futura obra” (NATIVIDADE, M. V.. O Mosteiro de Alcobaça. 1885, pp. 87-88)?
Já no séc. XIX e inícios de XX as cotas estavam mais baixas, existindo um número maior de degraus visíveis do que aqueles que refere. As cotas não podem então só ter sido alteradas quando da visita da rainha de Inglaterra. O que disse não é factual.
Em relação aos comentários ao comentário de Dora Mendes aproveito para o elucidar do seguinte:
O sistema hídrico do Mosteiro funciona quando o vir a funcionar, por mais garantias que me possa dar. Não foi desobstruído, foi parcialmente destruído e substituído por caixas de betão e tubagens. Mesmo que o seu fluxo seja respeitado não foi a sua integridade. Tenho fotografias que o demonstram. Desculpe Pedro, mas é verdade. O sistema tinha tudo para funcionar integralmente, assim a obra o tivesse projectado.
Não considero um “muro um capricho arquitectónico”, considero toda a obra. Aqui o Pedro referiu-se ao muro da praça D. Afonso Henriques, mas não era a esse que Dora Mendes se referia. Falava do Muro que acompanha o patim em frente da Ala Sul. A voluta que foi deslocada para assentar o muro caprichoso é o "dique para suster o saibro". Neste local nunca houve muro nenhum.
Já que fala na praça D. Afonso Henrique, gostava de perceber em que sondagem arqueológica se baseia então a construção desse muro que, como afirma, “corresponde a uma correcção histórica”, e que nos remete para a antiga cerca do Mosteiro. Seria mesmo ali, não seria mais no centro da praça? Pergunto apenas...
Quanto ao “bebedouro”... assim foi chamado porque era um chafariz que serviria para os animais matarem a sede. Que estranho essa valorização de um chafariz de fins tão pouco nobres e nada condicentes com a linguagem requintada da obra. Não terá ido esta recolocação histórica um pouco longe demais. Se o respeito e o conhecimento do património tivesse imperado este seria um chafariz que não teria sido elevado, pois agora apenas o animal homem lá chega, e a bica continuaria a ter a altura que tinha para encher um cântaro. Até os apoios que lá estavam para esse propósito foram retirados. Sabe que em tempos, à frente da bica, estavam colocados três pinos em pedra (que foram retirados para um dos arcos que ligam as duas praças) que tinham como função não permitir que os animais bebessem no espaço das águas potáveis. Aos animais pertenciam os espaços laterais. São pormenores, bem sei, mas têm muito da essência das peças e espaços. Estes poderiam ter sido utilizados para valorizar o largo do chafariz...
Já agora Pedro que me diz daquilo que foi feito à fonte da Ala Sul? Pessoalmente não me fascinava, mas também não me chocava, ao contrário do que agora está feito. Desmontar uma fonte e enterrar a sua última taça!? É bom que alguém pense no perigo que representa uma piscina com mais de um metro de profundidade, num espaço onde andarão crianças a brincar. Até me arrepio quando penso na gestão da segurança que não existe nesta obra...
Não gostaria que lhe parecesse arrogante, ma apesar de não ser arquitecto, procuro perceber as dinâmicas do património e do ambiente em que está inserido, mas para além disso sou um cidadão que quer acreditar nas instituições e nas pessoas. Não posso aceitar que se minta em tribunal, que se violem classificações, que se gastem milhões de euros em caprichos num país em crise. Não posso aceitar que as pessoas e o património não tenha sido o eixo desta intervenção. Estão aí as eleições e o actual executivo camarário quase de certeza ganhará, logo sentir-se-á legitimado para acreditar naquilo que fez. Eu penso de forma contrária.
P:S. Coloco este espaço à sua inteira disposição para algum texto que o Pedro queira aqui colocar, com o destaque que um comentário a um post não possui. Apenas pela extensão do meu comentário aqui o coloquei, acho que é de inteira justiça se quiser responder fazer-lhe o mesmo. Este é um espaço livre, de debate de ideias e princípios. Teria muito gosto. Está à disposição.
Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Subsídios para a campanha local
Positivo
Chegou com atraso, mas chegou. Pena não se ter mantido a uniformidade estética com a estrada de S. Pedro Moel (sentido Pedrógão) onde em vez de agressivos lancis de cimento foram colocadas estacas de madeira.
O sucesso da Feira da Maçã deve-se à sua promotora: a Associação dos Produtores da Maçã de Alcobaça. A Câmara Municipal apoiou e também merece o crédito. A iniciativa privada tem de ser premiada quando inova e implementa. Espalhar o nome de Alcobaça por todo o país e estrangeiro, num pacote de maçãs faz mais pelo concelho que milhares de euros investidos em artifícios. Não se esqueçam que ainda temos esta maçã à mais prestigiada marca de produtos lácteos! Danone Maçã de Alcobaça!
Sucesso em toda a linha. Envolvimento da comunidade, especialmente dos mais novos, espaços rentabilizados ao máximo, serviço educativo de eleição (Parabéns Cláudia!!), qualidade técnica inquestionável (Parabéns César e Dra. Madalena!). Parabéns a todos! Só falta espaço para as exposições temporárias e um espaço de ciência na antiga central eléctrica.
Não gosto da estética, desajustada e pesada, mas de qualquer forma, trata-se de uma obra importante para a cidade pela pressão que traz a proprietários das construções ribeirinhas e à Câmara na despoluição do rio. Para além disso ajudou a fomentar uma centralidade comercial em Alcobaça.
Fica por perceber o porquê do investimento (?) de tanto milhares de euros num elevador que não funciona. De quem é a responsabilidade?
Um exemplo a seguir em termos estéticos e eficácia. Funcional, simples e elegante. Um oásis no deserto. Que pena não terem estado ligados ao Rossio!
Alexandre Delgado com o apoio da Câmara Municipal transformou este Festival numa referência. Algumas das carências em termos de infra-estruturas têm vindo a ser resolvidas, mas há muito por fazer no que concerne à sua operacionalidade.
José Aurélio avança por sua conta e risco para a criação do Armazém das Artes. Alcobaça aguarda ansiosamente por um espaço de vivência artística transversal. Posicionamento invejável, arquitectura interessante, será um sucesso certamente.
Existem duas para Alcobaça e Nazaré, mas tudo bem! Desde que não se atrapalhem! Revelam que existe perspicácia de quem trabalha na floresta, não estão à espera que seja o Estado a resolver todos os problemas. Pode e deve ter um papel importante na preservação de algumas matas no concelho de inegável valor patrimonial natural e histórico.
Negativo
Para alguém que habita na urbe (!!) da Vestiaria é uma realidade inaceitável, mas que perdura desde a minha infância. São perdas incomensuráveis de água devido a rupturas, estradas esventradas e horas de ausência de um dos bens mais preciosos. Não falta nada, só a o facto deste assunto não ser considerado uma prioridade. Incrível não é? Ser preciso uma seca ou eventualmente umas eleições para que alguém se lembre que a 1 km da sede do concelho falta água em todas as semanas do Verão (e não só!!).
Esquecimento da língua inglesa nos avisos para desvios de pesados, devido às obras do Rossio.
Incapacidade na resolução do cruzamento da Fervença. Virá mais uma rotunda... entretanto não poderiam arranjar a berma de maneira a que quem venha da Nazaré não tenha de estar à espera de que arranque o carro que vai cortar para a Maiorga? Terá de ser o Instituto de Estradas de Portugal? Onde andam as Juntas de Freguesia?
Terça-feira, Agosto 16, 2005
Fogo e Areia
Depois do texto anterior este é o timing ideal para deixar neste espaço uma recomendação para todos os que gostam de aqui passar para reflectir em letra grande comigo. A coragem de falar, de pensar, de ser livre, é a coragem de criar. Mesmo que não seja arte, como a de José Aurélio. Para mim é isso que representa a escultura de José Aurélio. É assim que o encaro. Livre. Bem sei que hoje ser livre não é uma qualidade que empolgue as massas, envolve mesmo algum lirismo, mas pessoalmente continuo a querer ser livre. Eu, que nunca fui outra coisa.
Depois, José Aurélio tem outra coisa que admiro: cria. Também não é empolgante! Os tempos são de produção em série e a arte é equiparada à decoração de interiores ou ao carimbo de espaços públicos. Admiro a sua arte também pelo incómodo. Um incómodo inato à inteligência, à fundamentação estética, e à visão do criador como um material da arquitectura do Mundo. Este também não será grande elogio, os tempos que correm não são de incomodar, mas de acomodar. No entanto, ele é livre e cria. Cria a obra, mas não a limita quanto à sua compreensão, pois guarda uma parte do seu tempo para ums preciosos minutos de conversa comigo ou com outra pessoa qualquer. Quando se é, não se precisa de parecer.
Posto isto, deixem-me por uma vez parecer o sacerdote deste templo e repicar os sinos. Repicar até todos aparecerem na Galeria Nova Ogiva, em Óbidos para a exposição "Fogo e Areia". Sejam livres... talvez voltem com vontade de criar.
Quinta-feira, Agosto 11, 2005
A requalificação do Rossio
Todo o processo foi confrangedor no conteúdo e arrogante na forma.
A apresentação pública das primeiras ideias não ponderou as críticas que surgiram, encarou-as como provenientes de velhos do restelo, assistimos a arquitectos a fazer de políticos e políticos a fazer de arquitectos. Ficámos a saber recentemente por uma notícia televisiva, na voz do Vice-presidente da Câmara Municipal que se está a estudar a questão dos degraus enterrados da escadaria do Mosteiro. A seguir virá o arquitecto Gonçalo Byrne explicar qual a política para o desenvolvimento económico do concelho a partir da obra de requalificação do Rossio. Porque não fala o gabinete responsável por esta obra? Será essa uma pesada factura para quem recebeu uma obra desta dimensão sem sequer preencher os formulários de um concurso público?
Foi pena a reportagem da SIC não ter confrontado a Câmara Municipal com as promessas de que as cotas dos terrenos do Rossio não seriam alteradas, que a imposição legal de área non aedificandi não iria ser desrespeitada, que o trânsito não mais iria circular, que a obra seria feita de forma faseada, etc.
Num tom emotivo, porque creio que tenho esse direito, custa-me ver o monumento que mais admiro no Mundo ser devassado na sua integridade por uma obra que falha naquilo que é mais essencial: no respeito que lhe deveria mostrar. Para aqueles que sempre olharam para o Mosteiro, o que vêem hoje é uma fachada sem proporção, soterrada, uma escadaria anulada, uma adulteração de prioridades. Com esta praça a fachada do Mosteiro à sua construção barroca não teria esta configuração, as cotas dos terrenos seriam rebaixadas (solução mais que provável) ou então teríamos uma fachada de maior dimensão do que a actual.
O ambiente do Rossio é hoje marcado pelo edifício dos Correios, por uma estrada que foge do Mosteiro, por uma barreira de àrvores e pinos de latão e por um carrocel de níveis e desníveis que adulteram o recato que a observação do monumento requer. A banalização atinge o ofensivo com os propalados degraus “à Pompeia”, com calhas pluviais que partem bem do centro dos diferentes lanços de escada e com a monumental entrada para a Ala Sul, que sempre foi dos espaços de maior humildade do Mosteiro, mas que assiste no Presente à sua recolocação histórica como obra maior do ambiente construído cisterciense. Bem ao lado, desta monumental Ala Sul, foi “simplificada” uma fonte precisamente porque era demasiado… monumental.
Toda a obra impregna desta relação ditatorial que alguns arquitectos e outros protagonistas cultivam com o Passado, fazendo tábua rasa do existente e colocando a sua criação como dogma inabalável. Por todos os motivos, Alcobaça deveria ter tido a maior das preocupações com uma obra desta envergadura. Para aqueles que acreditam que nos irá colocar nos píncaros das intervenções em contextos históricos, gostaria que quem tomasse decisões pelo menos conhecesse aquilo que se faz no exterior e que expressões como “Ambiente Construído” e “Ambiente Histórico” carregassem consigo o peso do conhecimento e da definição de políticas inovadoras que se geram em todos os países desenvolvidos. Uma coisa parece-me evidente, Simon Thurley, director do English Heritage e doutrinário destes conceitos, quando veio a Portugal, a convite do IPPAR, não veio a Alcobaça. Porque motivo? Não por demérito do monumento, certamente.
Poderemos falar de requalificação quando as pessoas não foram o centro de toda a intervenção?
Analisando friamente. As requalificações de sucesso em centros históricos foram aquelas que combateram a desertificação agindo em coordenação com os moradores, inclusivamente nas suas próprias habitações. Em Alcobaça nenhum projecto ou apoio foi desenvolvido para gerar mais e melhor habitação no centro histórico.
As requalificações em espaços públicos respondem no presente a questões fundamentais como a mobilidade das crianças e principalmente dos mais velhos. Neste momento temos um espaço público onde calhas de escoamento pluviais atravessam áreas pedonais, onde as cores e a tipologia dos materiais aumentam a temperatura ambiente e a intensidade da luz.
As requalificações assentam numa visão estratégica que coloca o território em consonância, numa visão uniforme e integrada. O que temos em Alcobaça, neste momento, são várias Alcobaças. A Alcobaça de Ferro e a Alcobaça de Falcão. São estes os arquitectos que verdadeiramente ditam as diferentes estéticas, que só revelam a evidência: ainda não existe uma estratégia urbana para a cidade. Não tenhamos ilusões, o “chique” não se impõe por decreto.
As requalificações obedecem a rigorosos estudos de impacto no ambiente a intervir, a nível económico, numa equação simples de custo/benefício. O que temos em Alcobaça é uma obra de mais de um milhão de contos, sem o parque de estacionamento que o próprio arquitecto considerava indispensável, e que responde apenas a um objectivo: o capricho do arquitecto.
A diferença entre boa e má arquitectura é revelada pela forma como ambas lidam com o tempo. A boa continua e valoriza-se, a outra torna-se expiatório de políticas erradas e obsoleta perante aqueles que dela devem beneficiar. Ambas serão sempre ícones, o problema são as diferentes devoções ou rejeições que suscitam.
Falhou a gestão da mudança. À Câmara Municipal, uma vez que o arquitecto Gonçalo Byrne à muito se demitiu, resta a gestão dos danos.
As decisões tomadas contrariam o que tem sido defendido internacionalmente sobre “Ambiente Histórico”, foram contra princípios fundadores da classificação do Mosteiro como Património Mundial. Decisões que contaram com a conivência de cidadãos, políticos e organismos que deveriam ser vigilantes para com um Património que tem resistido a todas as barreiras que o Tempo lhe tem colocado. Irá sobreviver também a esta, a questão é como vamos nós viver com ela? A fractura está criada…
Segunda-feira, Agosto 08, 2005
A Pérola II
Domingo, Agosto 07, 2005
A Pérola...
Quarta-feira, Julho 06, 2005
A aura emocional do "Ambiente Histórico" de Alcobaça
Quando o João Monteiro me convidou para participar na concepção e montagem da exposição que inauguramos hoje e, principalmente quando me desafiou para pensar em algumas palavras que levassem à minha participação nesta conferência confesso que me causou alguma perplexidade aquilo que poderia vir aqui transmitir a uma plateia frequentadora de iniciativas semelhantes.
Como em quase tudo na vida pareceu-me interessante a hipótese de fazer uma ponte entre vários “mundos”: Presente e Passado, realidade nacional e estrangeiro, emoção e razão, interesse pessoal e o interesse colectivo desta pequena exposição.
Perguntei qual a importância de Pedro e Inês no “Ambiente Histórico” de Alcobaça?
Começarei por fornecer alguns dados de contexto sobre esse conceito relativamente recente: "Ambiente Histórico".
Ambiente Histórico é um conceito que se revelou em Inglaterra, no final do ano 2000, através de um documento intitulado Power of People, fruto do trabalho conjunto de entidades e profissionais que se uniram para lançar as bases de um programa ou uma de nova forma mais abrangente de encarar o Património Histórico.
Como indica a expressão Ambiente, este conceito tem particular incidência em qual deve ser o posicionamento do Património perante as pessooas. Não procura a preservação apenas do património material, por consequência tangível, mas também o imaterial, aquele que preenche um imaginário e acompanha gerações moldando a mensagem ao tempo e às pessoas.
"O Património são as pessoas" Simon Thurley, director do English Heritage
No Ambiente Histórico pode caber quase tudo, mas será aí que o mérito e o sucesso do programa se define, na capacidade de ver além do óbvio, do espaço edificado, na percepção dos sinais transmitidos pelo passado e na sua transformação em mais valias para o futuro.
Coisas tão diversas como materiais de construção e estilos podem definir e moldar regiões, localidades e comunidades de uma forma tão forte como as raízes étnicas, por exemplo.
Paisagens Históricas ou edíficios-ícon podem tornar-se focos de identidade de comunidades e de orgulho para um espectro mais vasto.
.....
Imaginem o impacto que poderá ter uma história como a de Pedro e Inês...
......
Aquando do seu desenho original o conceito foi estruturado em termos nacionais e, principalmente, orientado para o património material. A abordagem que proponho hoje é local, à escala da cidade de Alcobaça e vai mais longe entrando nos domínios do património imaterial, que tanto furor tem feito em concelhos vizinhos.
Se “o Património são as pessoas” e o seu entendimento dos espaços e do tempo, talvez seja por isso que a história e o mito de Pedro e Inês se associa de forma tão perfeita nestes novos conceitos. Pedro e Inês é, antes de mais, uma história de pessoas, mais do que de direitos consuetudinários de natureza genealógica, procuraram ser pessoas na forma mais comum, mas também na mais difícil de o afirmar: através do amor.
Entramos então no Ambiente Histórico de Alcobaça…
Há em Alcobaça um "Ambiente Histórico" que favorece o romanesco, com pequenos lugares de um acentuado lirismo romântico, refúgios de amores, mais ou menos inesianos:
- Confluência dos rios
- Antigos passeios fluviais
- Orlas florestais da cidade
- Arquitectura residencial, onde pontificam os palacetes, edifícios urbanos do início do séc. XX e alguns espaços mais invulgares como serventias que fazem a transição do público para o privado com grande suavidade e uma emoção contida. Há um apelo ao secretismo dos amores, mas também à libertação de sentimentos escondidos.
È esta, a aura emocional a que me refiro no título e onde Pedro e Inês se destacam indubitavelmente. Acredito convictamente que a aura deste amor se sente em Alcobaça de uma forma que extravasa o deslumbramento artístico da sua última morada.
Numa metáfora antropomórfica sobre o Ambiente Histórico de Alcobaça:
O Mosteiro seria o cérebro
O Mosteiro conferiu a inteligência na programação do território, a definição da estratégia que desenvolveu o espaço no tempo. Também esta foi uma relação dramática e intensa.
Os rios seriam as artérias
Os rios transportaram a vida, através da sua corrente estável, e a renovação, através da instabilidade temporária das grandes cheias. Também esta foi uma relação dramática e intensa.
Pedro e Inês seriam o CORAÇÃO, não no sentido físico, mas no sentido comum, como fonte dos sentimentos.
Pedro e Inês transportam Alcobaça para uma dimensão não quantificável e dificilmente descritível. A história de Pedro e Inês, não fornece apenas valores nacionais de natureza histórico-política, mas a dimensão universal de uma história de amor.
Cultivamos um carácter de posse, mas no entanto essa posse é repartida com outros locais como podemos constatar no presente com as comemorações dos 650 anos da morte de Inês de Castro.
Atravessa essas geografias, da mesma forma que a atravessa disciplinas de conhecimento, não pertence a historiadores, escritores e poetas, a filósofos ou artistas plásticos.
Encerra em si uma súmula de contradições ou paradoxos, como prefiro designar, que, no meu ponto de vista, tornam o Ambiente Histórico de Alcobaça em algo único.
Costumo provocatoriamente afirmar que Alcobaça é um acaso histórico, não deveria ter existido, e talvez não tivesse mesmo existido se os cisterciences, para além dos conhecimentos e práticas que lhes garantiram a eternidade, fossem donos de capacidades premonitórias!
- Como pode um espaço urbano que cresceu anexo a uma ordem monástica, fortemente implantada no território, possuir esta carga emocional?
- Como pode o amor de Pedro e Inês pulsar intensamente, não apenas na escultura, mas, através da sua aura, no interior de um espaço religioso marcado pelo rigor, simplicidade e austeridade?
- E o carácter celebrativo que atribuímos ao amor de Pedro e Inês transformando-o em inspiração de espaços de convívio público (Café Portugal e restaurante D. Inês) e no leitmotiv da nossa comunicação para o exterior (Terra de Paixão)?
Em resumo:
Todos estes aparentes paradoxos revelam essa aura emocional do nosso Ambiente Histórico, que em conjugação com o património edificado e natural que herdámos geram um conjunto único, que requer uma visão total e uma acção programática que siga as melhores práticas de gestão destes domínios e que aqui apenas conceptualmente foram afloradas.
Alcobaça foi uma terra de fé e inteligência eclesiástica, que encontrou em Pedro e Inês a sua fonte de amor secular.
Quarta-feira, Maio 18, 2005
Imaginários de Museus e Museus Imaginários
A realidade nacional dos Museus é paradigmática do estado da Cultura em Portugal, com o organismo de tutela (Instituto Portugês de Museus) a ser alvo de cortes orçamentais que chegaram a atingir os 20%, com modelos de gestão presos a legislação antiquada e sem recursos humanos, tornando o panorama confrangedor. Portugal é o país onde o Museu Nacional de Arte Antiga, o seu museu mais importante, chegou a ponderar encerrar as suas portas devido às férias dos funcionários em plena época estival! Imaginem encerrar o Prado, ou o Louvre! Seria inconcebível. Alguns dos caminhos que entendo como necessários para resolver esta questão já aqui apresentei num artigo anterior sobre o financiamento cultural.
Voltando ao caso na ordem do dia, para além da dificuldade que vai sendo a manutenção dos Museus, existem ainda outras dificuldades prévias: a conceptualização e a abertura. Recordo-me sempre, a este respeito, do caso de estudo que é Alcobaça. Não faltam projectos, vozes críticas (justas e injustas) e principalmente, não falta potencialidade.
Alcobaça, neste momento, não tem um Museu. Um museu que cumpra com os requisitos do levantamento o Observatório das Actividades Culturais. Há museus sem colecção, colecções sem museu, museus sem pessoal, museus sem programa, mas todos combinam numa coisa: alheamento dos públicos. Senão atentem nestes exemplos:
- O Mosteiro de Santa Maria possui acervo, mas não tem museu, apesar de ser uma ambição oitocentista de Alcobaça e estar legalmente criado desde a década de 80 do séc. XX;
- O Museu Nacional do Vinho, em virtude do desinvestimento e de um proprietário que se recusa a entender com a Câmara Municipal de Alcobaça vai definhando e perdendo o seu pioneirismo. Cairá no subalternismo face a projectos que nascem e se desenvolvem, não muito longe, por exemplo no Cartaxo;
- O Museu dos Coutos de Alcobaça é um projecto embrionário que espero que consiga atingir a maioridade, mas que creio ter um paradoxo que não vi ninguém esclarecer. Como pode um Museu dos Coutos de Alcobaça existir sem o Mosteiro? Para além disso o projecto parece-me pouco pragmático apostando numa rede de equipamentos que cria desafios, quanto aos recursos humanos e financeiros que lhe são inerentes. Não creio que exista nenhum estudo económico que justifique esta opção, por mais coerente que possa ser do ponto de vista museográfico. As interrogações que deixo não são nada quando comparadas com as que tenho em relação ao caso de estudo da não-museologia alcobacense: a casa-museu Vieira Natividade. Creio que o recente episódio da tentativa de deslocalização do monumento que lhe está coligado é a caricatura perfeita.
Continuam a faltar em Alcobaça projectos-âncora que funcionem como forma de preservação patrimonial e difusão cultural. O Cine-Teatro foi um passo decisivo nessa direcção, assim como a Biblioteca Municipal, mas ainda falta um Arquivo Municipal (prioridade administrativa e cultural absoluta) e um bom espaço museológico/exposições.
Relativamente a este último, dos vários possíveis, existem dois modelos que gostaria de destacar:
- Tradicional: um espaço, uma colecção permanente temática, espaço para exposições temporárias e reservas, com financiamento público, quase em exclusivo. Teria como principais vantagens a possibilidade de um trabalho mais duradouro, no entanto é um modelo menos flexível às novas realidades da gestão cultural, que requerem equipamentos polivalentes e/ou, quando há dinheiro, espaços mais específicos para trabalho localizado.
- Simbiose. Alcobaça carece de um espaço livre para exposições, com dimensão para receber Arte contemporânea, afastada da nossa programação cultural, à excepção das artes performativas. Nesse âmbito a existência de um espaço que cumprisse com essa exigência seria uma vantagem significativa, em paralelo ou perpendicularmente seria possível articulá-lo com uma exposição sumária, mas representativa, de mais-valias de Alcobaça. A tónica na minha opinião seria a Faiança de Alcobaça e a cristalaria. Só faria sentido com a sinergia entre sector privado e municipal.
O espaço Alcobaça, à semelhança de um Welcome center, serviria para receber os visitantes e teria uma incidência no presente e futuro, com o passado integrado. Recorreria às novas tecnologias como veículo de passar a mensagem, através de projecções de filmes, realidade virtual, reconstituições 3D, explorando as potencialidades comunicacionais das novas tecnologias. Não será esta a melhor forma de agarrarmos os turistas “volantes” que nos visitam? Aliciar, não impor. O turista não deve ser obrigado a andar a pé ou de carro, a visitar qualquer coisa que se queira vender. O turista, porque paga e é efémero, quer conhecimento simples, directo e liberdade para a sua vivência do local onde se encontra. O “Turismo de Experiências” que menciono é uma realidade emergente que procura responder à massificação da oferta turística. As relações humanas, afectivas, reveladoras, o conhecimento intenso dos locais é hoje crucial para o turista que, mais do que descansar, quer descobrir. Se é verdade que todos os locais têm a sua magia própria, então Alcobaça tem de encontrar a sua, antes que seja tarde demais. Aquela que poderia ser a mais-valia, neste domínio, o seu Ambiente Histórico” já não existe mais.
Regressando ao Welcome Center, a concepção do espaço seria uma responsabilidade municipal enquanto a gestão quotidiana pertenceria às empresas participantes no projecto com ou sem a Câmara Municipal no consórcio. Neste projecto seria estrutural a exploração de uma loja, galeria, cafetaria/restaurante, que teriam como objectivos, a rentabilidade económica do projecto e o prestígio das empresas e da cidade.
No que concerne à localização também temos várias possibilidades:
- Clássica: Mosteiro de Alcobaça. É bom não esquecer que o IPPAR vai constituir uma equipa para a execução de um Plano Director para o Mosteiro. Alcobaça tem de participar, não se pode alhear;
- Actual Mercado Municipal. Caso a solução Mosteiro se revele dificilmente exequível por vicissitudes várias, esta poderia ser a altenativa ideal, pela centralidade do espaço, as suas características, a qualidade arquitectónica do projecto e especialmente porque está junto à paragem dos autocarros turísticos. No entanto, a deslocalização do mercado deve ser bem pensada de forma a que não se intensifique a desertificação do centro da cidade e se quebra aquele que vai sendo o único elo de ligação da sede com o concelho;
- Antiga fábrica da Olaria: seria uma forma de preservar, pelo menos uma parte, do património edificado e principalmente da memória histórica que ainda perdura. A localização é favorável, à entrada ou saída da cidade e junto ao rio Alcôa;
- MercoAlcobaça: a não-solução. Aparentemente tem tudo para resultar. Entrada da cidade para quem vem pela A8, estacionamento, espaço amplo, mas está distanciado da cidade, do centro. Como seria depois? Visitavam o espaço, voltavam a entrar no autocarro ao centro da cidade, a partir desse momento estaria quebrada a relação entre o virtual do Welcome Center e a realidade da cidade.
Colocadas estas considerações e face à desafectação da Ala Norte e ao imenso espaço histórico devoluto, a solução Mosteiro parece-me a mais interessante. Para além do mais Alcobaça necessita, com urgência, de encontrar mais-valias para o seu descaracterizado centro, por sucessivas empreitadas.
As ideias que apresento fogem um pouco à doutrina geralmente instituída, porque procura a partilha de recursos e da gestão, em moldes pouco convencionais no sector cultural. Encara a Cultura como conhecimento, mas também como mais-valia económica. Procura ser Cultura Sustentável. Quanto mais não seja, fica o meu contributo para o imaginário dos Museus de Alcobaça.
Sábado, Maio 07, 2005
Documentos Históricos
Alcobaça Virtual
O "Portal da Regão Oeste" descreve-nos assim:
"A visitar: Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça; as ruínas do Castelo de Alcobaça fundado pelos Árabes; Arcos de Cister que são dois arcos setecentistas que ligam o antigo celeiro a outras dependências do Mosteiro; e a Igreja da Misericórdia edificada no séc. XVI e restaurada no séc. XIX. O Museu Nacional do Vinho, o Museu de Alcobaça instalado no Mosteiro e a Casa Museu Vieira Natividade onde se expõe o espólio das explorações arqueológicas nas grutas pré-históricas do concelho."
Quinta-feira, Abril 28, 2005
Câmara encomenda estudo ao LNEC sobre os terrenos do Lameirão
Espantoso! Apenas me ocorre dizer isto. Espanto, não de entusiasmo, mas antes de estupefacção!! Por várias vezes alertei para esta realidade no programa de rádio onde participo semanalmente e interroguei-me como foi possível deixar construir, com tanta volumetria em terrenos de aluvião. Mas o meu alerta não tem nada de extraordinário, nem mereço crédito por isso! Querem saber porquê? Porque tomei contacto com esta realidade através de palestras e textos do engenheiro Pedro Tavares! Ora todos nós sabemos que Pedro Tavares tem sido um dos colaboradores mais próximos do actual executivo. Não terá alertado a Câmara Municipal para esta realidade? Ou a Câmara fez ouvidos de mercador, ou então deu ouvidos ao mercador?!
O empreiteiro, responsável pela obra, vangloriava-se, numa entrevista recente, dos méritos do empreendimento. Realmente o tempo é o melhor conselheiro.
Presumo que o PDM tenha uma carta geológica actualizada que sirva de referência para a organização e planeamento do território. É que Alcobaça já tem alguns casos de estudo que fazem as delícias em congressos destas matérias. Perguntem a alguém que tenha estado em Vila Real, na Universidade de Trás-os-Montes, no último congresso sobre temas geológicos...
Voltando ao caso concreto do Lameirão, afigura-se difícil de compreender que a Câmara, aquando da aprovação do projecto, não tivesse conhecimento ou precavido consequências futuras.
Segunda-feira, Abril 25, 2005
Serviço Público Municipal
http://www.cm-viladoconde.pt/index.htm
http://www.cm-maia.pt/
http://www.cm-feira.pt/
http://www.cm-loures.pt/default.asp
Quarta-feira, Abril 06, 2005
Independentes na Câmara Municipal?
Há necessidade de uma candidatura não partidária para a Câmara Municipal de Alcobaça?
Avanço com o primeiro contributo:
Domingo, Abril 03, 2005
Sociedade da Cidadania
Portugal parte com relativo atraso para um novo estádio do desenvolvimento económico. A Sociedade do Conhecimento está em marcha e tornou-se a nossa principal referência como objectivo a perseguir. O PS, no seu programa de governo, compromete-se a cumprir com esse desafio, motor da mudança e do desenvolvimento económico do nosso país. Esperemos que dê os passos necessários à execução destas promessas.
As novas tecnologias têm de ser uma fonte de progresso e coesão social. Por factores ambientais ou meramente pessoais há um risco de se criar uma corrente de literacia digital que, em detrimento da inclusão, possa acelerar a exclusão. Como se combate este fenómeno? Criando um “ambiente de conhecimento” através da educação informal, que actua em paralelo com o sistema educativo, planeando e estabelecendo objectivos rigorosos, mas ambiciosos, interpretando os melhores modelos e adaptando-os à realidade local.
Na perspectiva de futuro que todos desejamos temos de dar sólidos passos para a Sociedade da Cidadania. A participação activa dos cidadãos na vida e gestão pública tem de ser urgentemente reabilitada, abandonando o conceito dominante, que poderíamos designar por cidadania passiva, alicerçado nos direitos do cidadão e pouco nos seus deveres. A participação pública é fundamental não só como forma reguladora, mas principalmente agregadora da comunidade. Nesse âmbito a freguesia e as autarquias têm de ser o primeiro elo de afirmação dos princípios de cidadania. A Educação e as Competências para a Cidadania devem ser lançadas por essas entidades, em paralelo com as escolas (fomentando projectos de caracterização e resolução de questões cívicas) e com as famílias.
O envolvimento de associações e movimentos públicos ou privados também é indispensável principalmente no trabalho com os mais jovens e idosos. O pulsar da comunidade sente-se mais nestas instituições, sendo fontes da dinâmica que queremos para as autarquias.
A Cidadania espontânea que Alcobaça revelou enfrentando o cenário das obras do Rossio, atesta uma comunidade informada, ciente da sua força e da importância do seu património.
As novas tecnologias têm de ser o outro vértice, pelas potencialidades que possuem na desburocratização dos procedimentos, informação e auscultação dos cidadãos.
Esta perspectiva requer uma nova mentalidade, diferente da habitual, os problemas de uns são os problemas de todos, a ausência de debate torna a acção política mais pobre, o silêncio dos cidadãos torna a acção dos executivos mais ruidosa, mas menos eficaz. Desejamos exigência para que sejam obrigados a corresponder com eficiência.
Active a sua cidadania.
Terça-feira, Março 01, 2005
Do Capricho da Arquitectura à arquitectura de Capricho
Em resumo, do capricho pela arquitectura passámos a uma arquitectura que satisfaz o capricho de arquitectos, empreiteiros e políticos. Uma tríade que brilha com dinheiros públicos, que oculta a sua incompetência com o fausto do nada.
Na primeira apresentação públicas do projecto de requalificação da área envolvente ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça pensei que iria assistir ao capricho da arquitectura. Gostei de exercícios que considerei eminentemente teóricos, pensei que se tratava de uma sessão de brainstorming público, em que o arquitecto abria a sua alma e soltava ideias, algumas delas irrealistas, como a inclinação de todo o largo do Rossio, que seriam depois trabalhadas e eventualmente abandonadas. Mantive a minha fé quando as primeiras perguntas da assistência foram lançadas, todas elas particularmente incisivas, não ouvi as respostas necessárias do projectista. Seria falta de preparação ou apenas uma estratégia de apresentação do projecto?
Na segunda e nas restantes apresentações percebi que era falta de preparação, pois nunca foram respondidas cabalmente e ainda hoje, com as constantes alterações do projecto, não creio que alguém possa explicar convenientemente. Do trânsito à arte urbana, do impacto no comércio ao turismo, tudo ficou por dizer.
No meio de tudo isto a incongruência maior, o organismo do Estado que tutela o nosso património classificado foi emitindo pareceres que alertavam para a sensibilidade que o projecto requeria, para a oportunidade histórica que uma alteração tão profunda poderia permitir, nomeadamente no domínio da arqueologia. A tudo isso respondeu o IPPAR, depois das obras terem avançado e estando sujeitas a uma providência cautelar solicitada por um movimento civil, com a sua habitual coerência. De repente, todos os seus alertas deixaram de fazer sentido e a obra cumpria todos os requisitos respeitantes a um edifício património mundial. Desafio o IPPAR a revelar ambos os pareceres de maneira a que todos possamos fazer o nosso juízo. Porque não estão os pareceres desse organismo disponíveis para consulta na Internet? Seria mais transparente? Para adensar a história, dizemos ainda, que o último parecer que chegou à Câmara Municipal de Alcobaça, na véspera da decisiva sessão em tribunal, era assinado por Flávio Lopes, o mesmo senhor que muito recentemente em comentários para a imprensa referia que o IPPAR não poderia ter duas versões sobre o mesmo assunto. Falava nessa altura relativamente à provável destruição de 180 metros do Aqueduto das Livres de Lisboa, cerceando a sua integridade e colocando em causa uma eventual candidatura a Património da Humanidade. O aqueduto que resistiu ao sismo está agora em risco uma vez que dará lugar a um viaduto que poderia passar em túnel mas mais uma vez há uma inversão de valores e prioridades.
Não nos podemos esquecer que o IPPAR não pode ter duas posições sobre o mesmo assunto.
Para terminar sobre a coerência desta entidade, e para além dos casos anteriores, o que dizer do recente projecto de Gonçalo Byrne para o Largo Barão Quintela, em Lisboa. O IPPAR está à beira de aprovar um projecto que merece a reprovação de todos, pois vai colocar um parque de estacionamento, numa praça muito pequena, a 30 metros do parque do Camões, destruir o jardim romântico e mudar a estátua de Eça de Queirós da sua localização, para além da colocação das esplanadas. As semelhanças com Alcobaça são evidentes!
Em Alcobaça, Byrne e o IPPAR foram responsáveis pela destruição dos Jardins frontais ao Mosteiro, retiraram uma escultura de homenagem pública a Vieira Natividade, que fora colocada defronte da casa deste insigne alcobacense. Será desterrada para um beco, em nome da unidade estética do projecto Byrnesco. Aposto que em Lisboa como em Alcobaça, a praça também será em socalcos como essa notável transformação que está ocorrer na praça Afonso Henriques, em Alcobaça.
Fica provado a todos os autarcas de Portugal que, caso possuam património classificado no seu concelho e projectos de difícil aprovação pelo IPPAR, a solução é chamar o arquitecto Gonçalo Byrne. Para o IPPAR não aprovar um projecto da sua autoria seria colocar tudo aquilo que fez para essa entidade. No caso do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, tudo o que foi feito, foi mal feito e desbaratinando doses maciças de fundos públicos. Três casos:
Loja do Mosteiro – encerrada por um ataque de fungos que levou à sua deterioração precoce. Todos gostaríamos de saber o seu orçamento…
Ala Sul do Mosteiro – lajeada a mármore grego (?) e paredes e rebocos atacados por salitre, soluções internas muito criticáveis como o completo desmantelamento do interior, permitindo as mais insipientes interpretações na altura da reconstrução.
Área envolvente ao Mosteiro – sucessão de contradições quanto ao pavimento a utilizar (saibro, laje, calçada); o parque de estacionamento era fundamental para o projecto, não vai ser feito, mas as obras continuaram; quanto ás árvores a colocar; quanto à violação de terrenos em área classificada; quanto aos jardins existentes, da mesma forma que cortou, nas traseiras da Ala Sul, uma árvore de grande porte e com umas dezenas de anos, para colocar uma escada que nunca foi construída; quanto ao aproveitamento público dos espaços, anulando uma praça ao colocá-la em patamares inclinados que inviabilizará o seu usufruto actual em nome de uma suposta ligação com um espaço interior do Mosteiro que, como sabemos, se encontra permanentemente fechado.
O que dizer então das fundações que estão a ser colocadas em frente do Mosteiro alegadamente para suportar os camiões dos grandes espectáculos que ali se irão realizar. Então não passou no Rossio a estrada nacional Lisboa-Porto e actualmente a nacional 8? Sempre passaram camiões, nunca aconteceu o abatimento. Já agora então o trânsito não é para ser cortado, qual é a necessidade de reforçar uma via pedonal?
Arquitectura de capricho ou capricho da arquitectura? Eu opto pela primeira...


