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quarta-feira, dezembro 06, 2006

Protestos em São Martinho do Porto

A pequena vila de São Martinho tem andado bem agitada com as polémicas em torno da Junta de Freguesia e das obras de requalificação. Já dei a minha opinião sobre a intervenção junto à praia, não o fiz em relação à vila porque do que tinha visto no projecto não me agradava, mas enfim... O meu silêncio partiu da naturalidade com que as pessoas de São Martinho assistiram às a presentações públicas onde terão inclusivamente aplaudido! Ora esta é uma situação muito diferente da de Alcobaça onde foram apresentadas dúvidas na primeira sessão que nunca foram esclarecidas.
Para quem está de fora e viu o projecto cresceu o pressentimento que assim que as obras começassem iria estalar a polémica. Admito que não estou por dentro de todo o processo, por isso lanço uma interrogação: afinal onde estava os cidadãos e associações de defesa quando o projecto foi apresentado? Conheccendo o processo de Alcobaça porque não marcaram presença mais intensa? Evidentemente a Câmara não vai recuar e vai voltar a intervir de forma radical onde talvez nem fosse necessário. As prioridades da autarquia continuam a não responder aos principais problemas das localidades. Em São Martinho, para podermos falar de Requalificação, teríamos de ter um conjunto de obras estruturais de apoio à remodelação da marginal. Parques de estacionamento exterior com acessos à praia e circular de desvio do trânsito para libertar a marginal. Não foi feito... orgulhosamente gastamos 5 milhões de euros numa obra de estética. Terá a sua importância, mas é como tratar uma gripe forte com um Melhoral. A gripe passa, mas não pelo rápido efeito do comprimido.
Meus senhores e associações de defesa do património local todos sabemos que ter posições contrárias tem um custo e implica coragem, debate e a humildade de reconhecermos erros. Neste caso depois de uma batalha que será perdida também terão de reconhecer o vosso. De qualquer forma exponham os vossos argumentos e assumam a divergência porque é para isso que vivemos em Democracia.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Diário de uma visita nocturna II

A última vez que estive em S. Martinho do Porto fez-me bem. Foi com satisfação que reparei numa série de pormenores que me tranquilizaram e me fazem acreditar nas pessoas. Não creio que tenhamos um fundo mau, por vezes acossamo-nos reagimos agressivamente, mas no fundo a grande maioria quer os bem das coisas em que estão envolvidas.
Vem este preâmbulo a propósito das obras de requalificação de S. Martinho do Porto. Mantenho aquilo que disse no que concerne à definição de prioridades e espero que a Câmara Municipal avance na circular de escoamento do trânsito que vem de Salir, que pense em soluções definitivas para o estacionamento e, depois disso, quem sabe se não será possível retirar o pouco estacionamento que resta em frente das esplanadas.
Vi nesta obra um cuidado que não vi em Alcobaça. A praça inclinada é bem menos inclinada e houve reutilização das cantarias do paredão. As árvores foram cortadas, mas foram colocadas outras que permitem uma vivência que, na verdade, não existia na sinistra praça anterior.
O cuidado com o ambiente nos acessos à praia são de uma qualidade invulgar e parecem-me uma solução duradoura para travar a erosão das dunas. A ciclovia é esteticamente bonita apesar de não me parecer muito funcional porque é muito estreita. Já o passeio me parece irrepreensível, com uma calçada muito bonita e mais espaço de circulação.
Houve uma preocupação de reaproveitamento e de revolução na continuidade que apreciei particularmente. O resultado está à vista… gente e mais gente a passear, mesmo sem iluminação definitiva.
Deixo um reparo para que a câmara, em vez de construir o elevador, prolongue o passeio até à estrada que vai para Salir. Esta interrupção de linguagens urbanísticas salta demasiado à vista e faz com que no espaço de um quilómetro tenhamos três opções diferentes: a nova, a velha e a que está a ser utilizada a partir de Salir.
De qualquer forma e apesar de todos os problemas que alguns têm vindo a denunciar, e sobre os quais não me atrevo a pronunciar porque não conheço, não deixou de ser um afagar da alma, depois desse terramoto chamado Rossio.
Inverteram-se as prioridades nas intervenções necessárias, mas estamos a tempo de fazer o que precisa de ser feito. Ah… e não aconteceram mudanças irreversíveis, daquelas que nos podemos arrepender no futuro…

quinta-feira, março 09, 2006

S. Martinho: Diário de uma Visita Nocturna

Envolta na bruma, sem iluminação pública, numa noite de temporal, S. Martinho força-me a escrever sobre um assunto do qual tinha prometido a mim próprio não me envolver. Depois da marcante experiência que foram as obras do Rossio de Alcobaça receava aquilo que se pudesse fazer em S. Martinho.
Do que conhecia do projecto nomeadamente da maquete, a opinião não era favorável. Pareceu-me mais um lifiting arquitectónico do que uma obra estrutural e inserida num projecto de desenvolvimento.
Colocando sob reserva o facto de não ter interpretado bem a maquete (digo-o sem ironia) causou-me espanto o facto de se orçamentarem 5 milhões de euros e não estar contemplado duas coisas que me parecem fulcrais: um parque de estacionamento para utilizadores da praia e uma circular que afastasse o trânsito que vem de Salir para Alfeizerão, Famalicão da Nazaré ou mesmo para o núcleo antigo de S. Martinho. Deparei com um passeio alargado junto à praia, suprimindo estacionamento, a depuração de uma praça e um elevador sem glória.
Segundo sei existem componentes do património histórico local que não foram, mais uma vez, devidamente contempladas. No entanto, nem pego por aí, para não ser acusado de algum fundamentalismo profissional!
Mais uma vez foram efectuadas apresentações públicas logo todos somos responsáveis…

P.S. Uma nota surrealista para a placa de informação do espaço Palace do Capitão: “Turismo Rural”??!! Será que ninguém se lembrou de Turismo de Habitação?! E a localização da placa?! Quem entra na Marginal é absorvido por placas de informação, só faltava isso depois das construções que retiraram sol à praia. Só é preciso bom-senso…