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quarta-feira, novembro 29, 2006

V Seminário do Património do Oeste será em Alcobaça

A vereadora da Cultura de Alcobaça anunciou na passada sexta-feira a realização do V Seminário do Património do Oeste na nossa cidade. O anúncio aconteceu no final do primeiro dia do Seminário que decorreu em Arruda-dos-Vinhos. Foi um seminário interessante do ponto de vista dos conteúdos, mas também das linhas estratégicas que foram apresentadas por diferentes concelhos e também por particulares. A necessidade de reforçar laços de união no Oeste e projectos comuns foi também uma linha defendida em várias comunicações, caso da do antigo ministro da economia Augusto Mateus.
A tónica esteve muito colocada na relação que o património cultural deve estabelecer com o turismo. Foi também um pouco desse trabalho que fui apresentar. Contei com colegas de mesa de humor e visões intensas, um relacionado com as extraordinárias potencialidades do turismo equestre e outro com a necessidade de preservação e aproveitamento dos faróis do Oeste. A manhá de Sábado esteve reservada para a divulgação de importantes descobertas arqueológicas no Oeste. À distância foi realmente um seminário proveitoso para quem participou, quer como orador, quer como assistente, devido à amplitude dos temas tratados que incluiram inclusivamente o papel dos conservadores restauradores, missão que ficou a cargo de alguém que conheço muito bem...!
P.S. As actas do Seminário anterior no Cadaval foram lançadas nesta altura. A Câmara do Cadaval merece por isso ser felicitada, ainda por cima com um obra de boa qualidade gráfica. Tem inclusivamente alguns artigos relativos ao património arqueológico de Alcobaça e à temática da importância da água para os cistercienses, este da autoria de quem mais escreve sobre o assunto: Pedro Tavares. Trata-se portanto de mais uma obra a indispensável para Alcobaça (ao menos quando falo destas não há polémicas!).
Se quiserem mais alguma informação terei muito gosto em pormenorizar o seminário.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Duas Obras fundamentais para Alcobaça

Esqueçam lá os IC9 e VCI e Rossio… As obras de que aqui falo são outras. Depois de ter estado presente no final da tarde de ontem no Centro Cultural da Nazaré para mais uma conferência sobre a história da ocupação humana na antiga lagoa da Pederneira voltou a ser referida a obra sobre Parreitas e a presença romana na região. Toda a gente que fala desta obra refere-a como a tal “que já deveria ter saído”. São 20 anos de investigação e escavações arqueológicas, um pequeno museu no Bárrio, mas não há uma obra que contextualize todos estes componentes fascinantes (pelo menos para quem gosta de História!). A nossa vereadora da Cultura também já manifestou que a obra está para sair colocando o ónus do atraso na parte dos investigadores.
Fiquem a saber que, para além da parte de Pedro Barbosa (Parreitas e ocupação da envolvência da lagoa), estão previstos outros artigos muitos relevantes. Destaco o de Vasco Mantas relativo à rede viária romana na região. Acredito que poderá trazer algumas surpresas
Portanto a todos os envolvidos pedimos todos a maior celeridade na publicação da obra. São conteúdos culturais fundamentais.

Todos sabemos como funciona a política editorial das autarquias em Portugal. Raramente é programada, baseia-se em apoios pontuais através da solicitação dos autores. Segundo sei, a obra primordial de Iria Gonçalves (O Património do Mosteiro de Alcobaça nos séculos XIV e XV) sobre o nosso Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça está esgotada. Presumo que uma reedição seja uma ambição, mas, uma vez, que é uma edição da Universidade Nova assusta-me a perspectiva de termos de esperar uma década para que isso aconteça. À Câmara, ADEPA e Mosteiro lanço o apelo para que averiguem a situação e reúnam o estofo financeiro para que a obra seja reeditada. Fica o apelo também para novas estruturas associativas que irão surgir em Alcobaça…
Alcobaça ficaria realmente mais rica com a edição da obra sobre Parreitas e a reedição desta obra maior da historiografia portuguesa de Iria Gonçalves.
P.S. Para outra altura fica a questão São Gião da Nazaré.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Alcobaça, Arqueologia Medieval e Conteúdos Culturais

Numa navegação pela Internet à procura de informação deparei com o documento aqui linkado e que tem uma significativa importância para todos os que têm interesse pela história local. O autor como irão ver é Pedro Gomes Barbosa, historiador, professor universitário e arqueólogo. É o autor de uma das mais importantes obras sobre o período medieval na região Oeste e responsável pelas escavações de Parreitas, no Bárrio.
A ligação a Alcobaça é profunda como ficou demonstrado numa obra recente sobre a Agricultura nos Coutos de Alcobaça publicada em parceria pela Câmara Municipal e Associação de Agricultores da Região de Alcobaça. A obra é uma síntese histórica e etnográfica interessante e com o aliciante de possuir factos até aqui desconhecidos.
Regressando ao documento que aqui nos traz, começar por dizer que será de 1990. Era muito jovem para acompanhar estes movimentos e talvez por isso tenha lido com algum espanto a referência ao “Projecto de Arqueologia Medieval do Couto de Alcobaça”. Não sabia da sua existência. Em 1990 dizia o autor “que ainda não ultrapassou o estado embrionário, procedendo-se ainda ao levantamento sistemático de campo (juntamente com o trabalho de gabinete) para que possam ser definidos os primeiros objectivos e escolhidas as primeiras estações a escavar” (p. 8-9).
Ainda mais importante é a referência seguinte de que “Este projecto de arqueologia medieval para Alcobaça não nasceu de forma autónoma, mas, antes, fazia parte de um outro mais amplo, iniciado em 1981: o Plano Arqueológico de Alcobaça”.
Não vou avançar em explicações sobre o estado destes planos porque não conheço em profundidade todo o histórico dos acontecimentos. Uma vez que o panorama é mais ou menos semelhante em todo o lado avanço com algumas considerações genéricas de como muitos destes planos não chegam a ser concluídos. Em primeiro lugar porque isso é uma impossibilidade total, por mais que se trabalhe surgem sempre novas possibilidades. Em termos práticos os projectos perdem força ou terminam pelos seguintes motivos:
1. Geralmente são iniciativas e esforços pessoais de investigadores, arqueólogos e meros curiosos. Quando as pessoas se cansam ou seguem novos rumos profissionais há uma ausência de liderança e principalmente de competências.
2. São conceitos sujeitos à apreciação política de executivos autárquicos (que têm legitimidade para o fazer mas que raramente conseguem ver mais do que a despesa inerente aos projectos.
3. Dificuldade de apresentar resultados por parte das equipas técnicas que trabalham no terreno que levam à incompatibilização com os decisores políticos.
4. Falta de condições de trabalho (logística e recursos humanos) dos gabinetes locais de arqueologia. Em alguns locais do país passam o seu tempo em escavações de emergência.
5. O prolongar dos projectos por dezenas de anos retira-lhes capacidade de comunicação com as populações e com as autarquias. A partir desse momento tornam-se vulneráveis e dispensáveis.

Não sei o que se passou no caso concreto de Alcobaça, se foi algum destes motivos ou não, mas custa ver morrer ideias ou projectos desta relevância. O país tem feito um investimento considerável nos domínios da promoção e comunicação da sua cultura, mas corremos o risco de atingir o esgotamento dos conteúdos que dispomos. A produção de conteúdos implica investigação, filtragem e a sua passagem à fase de projecto. Depois disso temos ao dispor recursos com possibilidades educativas e económicas, principalmente para o Turismo.
Apostar no Turismo Cultural passa por enfrentar esta realidade delegando competências e recursos para projectos de investigação. Naturalmente esta é uma função dos organismos públicos, mas não pode nem deve ser um exclusivo seu. O trabalho das associações de defesa do património, um pouco por todo o lado, demonstra esta virtude que existe no nosso sistema. Usando e abusando, no bom sentido, dos contactos humanos que dispõem vão conseguindo produzir obras, umas melhores que outras naturalmente, mas vão conseguindo ser um pequeno repositório do conhecimento local. Um sistema tão esforçado tem dificuldade quando os projectos são mais complexos, não tendo capacidade operacional para os executar. Aí teremos de voltar às autarquias e ao poder central.
No caso concreto de Alcobaça deveríamos todos ressuscitar ideia, reformulando o que houver para reformular, definindo prioridades e consequentes intervenções. Com um mosteiro com uma nova alma e boas relações com a autarquia está criado um quadro que não existia há muitos anos.

terça-feira, julho 25, 2006

Alexandre Delgado

Soube recentemente, apesar de não ter lido a notícia, de que Alexandre Delgado estaria de saída do cargo de programador do Cistermúsica. Desconheço os motivos, mas também não é sobre isso que vos gostaria de falar. Neste momento queria só felicitá-lo pelo trabalho que desenvolveu, a todos os títulos notável. Fica uma pesada herança, daquelas que só se sentem quando o que foi feito valeu a pena.
Alexandre Delgado não é só um intérprete, um músico, alia essa qualidade a outras como a capacidade de investigação histórica, os conhecimentos do meio e, além de tudo isso, é um comunicador nato. Alguém que se sente bem falando para uma plateia na Benedita ou na Gulbenkian. A propósito da Benedita não me esqueço da lição pedagógica (nunca ofensiva ou arrogante) num concerto no Centro Cultural, quando o público batia palmas sempre que mudava de Andamento. No final da obra, levantou-se e na sua forma expressiva disse qualquer coisa como isto… no mundo da música, actualmente existe uma convenção relativa a que não se deve bater palmas entre os andamentos (já tinha explicado o que eram!), mas se o quiserem fazer podem fazê-lo porque nem sempre foi assim. Noutras alturas as pessoas chegavam a bater palmas a meio da interpretação bastava que tivessem gostado da interpretação de um solista por exemplo. Já agora a próxima obra tem cinco andamentos…
O concerto continuou e o tempo entre os andamentos foi passado no mais absoluto silêncio!
Cada caderno do Cistermúsica é um manual de introdução à música, mas ao mesmo tempo uma fonte para todos aqueles que já conhecem alguma coisa. É um festival com uma programação de elite, mas que atinge públicos que noutras circunstâncias se sentiriam desfazados. O único reparo que aponto foi o facto do festival se estar a afastar de povoações como a Vestiaria, onde era claramente um evento com um impacto notável. Bem sei que o cine-teatro tem melhores condições, mas a difusão radial do festival era uma característica que seria importante não perder. Cós é a prova disso. Mas isto são factos de somenos importância no contexto deste post.
Sinceramente espero que não seja um ponto sem retorno e que exista alguma forma de Alexandre Delgado continuar a gerir o Cistermúsica. A Câmara Municipal demonstrou inteligência na sua contratação e por isso merece ser felicitada, pois ressuscitou um evento moribundo. À Câmara deixo o pedido que vá até onde lhe for possível para que o Cistermúsica continue a contar com Alexandre Delgado.