domingo, abril 03, 2005

Sociedade da Cidadania

Conceitos para uma participação activa

Portugal parte com relativo atraso para um novo estádio do desenvolvimento económico. A Sociedade do Conhecimento está em marcha e tornou-se a nossa principal referência como objectivo a perseguir. O PS, no seu programa de governo, compromete-se a cumprir com esse desafio, motor da mudança e do desenvolvimento económico do nosso país. Esperemos que dê os passos necessários à execução destas promessas.
A Sociedade do Conhecimento assume pois uma importância transversal no contexto nacional, atravessando a a sociedade e Administração Pública estruturalmente. O poder local não pode ficar ausente deste desafio e deve ir mais longe, corrigindo as imperfeições naturais de um projecto desta envergadura. A proximidade do poder local implica que este deva fazer uma caracterização preventiva dos problemas que afectam as populações e actuar de acordo coma as suas possibilidades.
As novas tecnologias têm de ser uma fonte de progresso e coesão social. Por factores ambientais ou meramente pessoais há um risco de se criar uma corrente de literacia digital que, em detrimento da inclusão, possa acelerar a exclusão. Como se combate este fenómeno? Criando um “ambiente de conhecimento” através da educação informal, que actua em paralelo com o sistema educativo, planeando e estabelecendo objectivos rigorosos, mas ambiciosos, interpretando os melhores modelos e adaptando-os à realidade local.
Na perspectiva de futuro que todos desejamos temos de dar sólidos passos para a Sociedade da Cidadania. A participação activa dos cidadãos na vida e gestão pública tem de ser urgentemente reabilitada, abandonando o conceito dominante, que poderíamos designar por cidadania passiva, alicerçado nos direitos do cidadão e pouco nos seus deveres. A participação pública é fundamental não só como forma reguladora, mas principalmente agregadora da comunidade. Nesse âmbito a freguesia e as autarquias têm de ser o primeiro elo de afirmação dos princípios de cidadania. A Educação e as Competências para a Cidadania devem ser lançadas por essas entidades, em paralelo com as escolas (fomentando projectos de caracterização e resolução de questões cívicas) e com as famílias.
O envolvimento de associações e movimentos públicos ou privados também é indispensável principalmente no trabalho com os mais jovens e idosos. O pulsar da comunidade sente-se mais nestas instituições, sendo fontes da dinâmica que queremos para as autarquias.
A Cidadania espontânea que Alcobaça revelou enfrentando o cenário das obras do Rossio, atesta uma comunidade informada, ciente da sua força e da importância do seu património.
O ambiente de cidadania, a que me refiro, passa não só pela educação dos cidadãos, mas também pela própria acção dos executivos. A implementação da Transparência na administração é vital numa estratégia com este propósito.
As novas tecnologias têm de ser o outro vértice, pelas potencialidades que possuem na desburocratização dos procedimentos, informação e auscultação dos cidadãos.
Esta perspectiva requer uma nova mentalidade, diferente da habitual, os problemas de uns são os problemas de todos, a ausência de debate torna a acção política mais pobre, o silêncio dos cidadãos torna a acção dos executivos mais ruidosa, mas menos eficaz. Desejamos exigência para que sejam obrigados a corresponder com eficiência.
Active a sua cidadania.

3 comentários:

LD disse...

Às vezes fico com a impressão que a maior parte das pessoas desenvolveu uma espécie de alergia a tudo o que tem a ver com deveres cívicos e vivem agora num mundo de consumismo pop, onde o que interessa é individualismo em detrimento da sociedade.
Isto sem dúvida que é um problema de identidade social que se acentua nos resultados eleitorais onde a abstenção atinge valores impressionantes e os partidos políticos cantam vitória, onde alguns escrutínios como por exemplo as europeias houve mais de 50% de abstenção, algo têm de mudar. Muito do que escreves Miguel é um caminho que pode ser seguido.
Alcobaça não foge à regra os partidos Políticos desesperam por sangue novo e ele não aparece se calhar também devido à própria organização que cede ás pressões de Lisboa que domina as estruturas Distritais e em parte também Concelhias.
Tem de haver mais liberdade de escolha dentro dos Partidos a começar pela escolha dos deputados.

capeladodesterro disse...

Ora aí está uma realidade que nos escapa. Como é possível que um deputado eleito pelo nosso círculo seja completamante desconhecido dos seus eleitores? A sua desresponsabilização começa aí, já o eleitor não se envolve porque "não vale a pena". E como é difícil provar que não têm razão...

Anónimo disse...

Os partidos precisam de sangue novo mas de boa qualidade. O que está não presta, e Alcobaça vai definhando gerida por pessoas que não estão à altura das necessidades desta terra.

Pois é, mas isso vai complicar a vida aqueles que não têm qualificação profissional e só na politica é que podem arranjar umas massas.
Então barra-se a entrada de uma maneira ou outra a essas pessoas , o que está em causa é o interesse pessoal, não é o da terra ou da comunidade que interessa, nada de ilusões porque não é nada disso.
Ora vejamos a população , mais de 50% são mulheres, onde estão as representantes delas?
Porque não se obrigam a cotas para minorar o problema.
Já foi feito nos outros Países.
Não convém por causa do tacho e também não convém ás proprias mulheres que lá estão porque assim teriam que competir com outras.
É assim que isto funciona.

Já viram a pobreza da nossa Assembleia Municipal, então Alcobaça tem um batalhão de gente com formação universitária e a desempenhar cargos de elevada responsabilidade e não têm cabimento lá!!!!!, Porquê?

Já notaram que são sempre os mesmos, já notaram que uma grande percentagem de eleitos nem vivem nem trabalham em Alcobaça?
Quando digo Alcobaça digo Concelho.
Deixem-me voltar para a Ilha